Resenha: O Bom Partido - Curtis Sittenfeld

Uma divertida releitura do clássico “Orgulho e Preconceito”, cheia de confusões, aceitação e romance

junho 17, 2019 - Postado Por: Rosane Santos
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Uma divertida releitura do clássico “Orgulho e Preconceito”, cheia de confusões, aceitação e romance




O Bom Partido é uma releitura moderna do clássico “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen. Dito isso, é possível imaginar que estava um pouco receosa com a leitura, pois se trata de um dos meus livros favoritos e confesso que demorei um tempo para conseguir me desprender da história original. Então aqui vão algumas das minhas impressões.

Liz trabalha como escritora para uma revista e mora em Nova York, assim como sua irmã mais velha Jane, que é instrutora de yoga. As duas vivem uma vida razoável, mas sem grandes emoções, na cidade, até que recebem um telefonema com a notícia de que seu pai havia passado mal e estava internado e elas decidem voltar para sua cidade natal e ajudar de alguma forma na recuperação do pai.

A partir desse acontecimento as irmãs percebem que as coisas em casa não andam tão bem quanto elas imaginavam: Liz descobre que os pais estão afundados em dívidas; as irmãs mais novas - Kitty, Lydia e Mary - ainda moram com eles e não contribuem em nada com as despesas de casa, nem mesmo possuem um trabalho; os pais parecem completamente alheios aos problemas que os cercam e a mãe parece apenas se preocupar em arrumar um marido para suas filhas e fazer inúmeras compras desnecessárias.



Diante desse cenário nada atraente, Liz acaba tomando para si a responsabilidade de buscar uma maneira de melhorar a situação da família antes que eles cheguem à ruína completa.

A família Bennet então recebe a notícia de que acabara de se mudar para a cidade o médico Chip Bingley, ex participante de um programa muito conhecido chamado O Bom Partido (onde um solteiro muito cobiçado é disputado por várias garotas para ver quem vai ficar com ele no final). A Sra. Bennet então transforma em sua missão de vida juntar Chip com alguma de suas filhas. E é claro que imediatamente Jane e Chip se sentem atraídos um pelo outro.

Do outro lado temos o brilhante amigo de Chip que também acabara de se mudar, o neurocirurgião Fitzwilliam Darcy e obviamente a antipatia entre ele e Liz é imediata, mas como sabemos, primeiras impressões podem ser equivocadas.

Eu demorei bastante para pegar o ritmo da leitura, achei o início um pouco arrastado e acabei tentando buscar as características das personagens de Austen até que enfim desisti e me deixei envolver pela história criada pela Curtis.



Um determinado fato chamou minha atenção e fez com que eu quase não finalizasse a leitura, não sei dizer se foi um problema na tradução ou algum erro de edição ou se de fato foi a intenção da autora, mas havia uma descrição relacionada a casa onde os personagens viveram que foi repetida praticamente em todas as páginas, de forma que tornou a leitura repetitiva por demais e eu pensei que não fosse conseguir deixar isso passar e chegar ao final, cada vez que lia a frase tinha vontade de jogar o livro na parede.

Entretanto, apesar das dificuldades encontradas, consegui prosseguir com a leitura e a narrativa começou a ficar mais fluída e consistente, depois que eu aceitei que era uma releitura e os personagens não precisam ser exatamente iguais, então foi mais agradável e uma leitura interessante e envolvente, a escrita de Curtis é bem leve e é possível finalizar o livro em poucas horas.

Alguns temas poderiam ter sido melhor tratados pela autora, temos uma dose de racismo por parte da Sra. Bennet que é absurdo. Além disso a autora procurou trazer outras temáticas modernas como a referente a inseminação artificial, transsexualidade, a dificuldade de equilibrar um relacionamento com a carreira, a influência das redes sociais e como isso pode deixar as pessoas totalmente alienadas.

Está longe de ser um dos melhores livros do gênero chick-lit que já li, porém, conforme a autora vai desenvolvendo os personagens nós podemos observar que eles vão amadurecendo, começam a ver as coisas sob outra perspectiva. O desenvolvimento do romance entre Liz e Darcy foi bem trabalhado; o amadurecimento das irmãs mais novas foi bem construído e a autora foi muito bem nesse aspecto. Com relação a Chip e Jane, achei o casal bem sem graça, não pareciam ter muita química, não me convenceu muito.

No geral, é uma leitura divertida, leve e envolvente, mas aconselho a não se deixar levar por comparações com a obra original e procurar ler O Bom Partido como um livro independente que por acaso traz os nomes dos mesmo personagens e algumas características e enredo que lembram Orgulho e Preconceito. Leia de coração leve hahaha.


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O Bom Partido (Eligible)
Autora: Curtis Sittenfeld
Editora: Essência (Planeta de Livros)
Ano: 2019
Skoob: 3.6 estrelas / Goodreads: 3.6 estrelas
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03 Estrelas
Uma versão moderna e emocionante do clássico Orgulho e preconceito. Uma versão da família Bennet – e de Mr. Darcy – como você nunca viu antes. Liz trabalha como escritora em uma revista e, assim como Jane, sua irmã mais velha instrutora de yoga, mora em Nova York. Preocupadas com os recentes problemas de saúde do pai, elas voltam à cidade onde nasceram para ajudar – e acabam descobrindo que tanto a bela casa em que cresceram quanto sua família estão desmoronando. As irmãs mais novas Kitty e Lydia estão ocupadas demais com seus treinos de CrossFit e dietas para arranjar empregos. Mary, a irmã do meio, está fazendo seu terceiro mestrado à distância e quase não sai do quarto, exceto para suas aventuras misteriosas nas noites de terça. E a Sra. Bennet só pensa em uma coisa: como casar suas filhas, especialmente com o aniversário de quarenta anos de Jane se aproximando. Até que chega à cidade o cobiçado médico Chip Bingley, famoso por ter participado do reality show Bom Partido. Em um churrasco de Quatro de Julho, Chip e Jane se interessam imediatamente um pelo outro, mas seu amigo neurocirurgião Fitzwilliam Darcy não tem a mesma sorte com Liz. Primeiras impressões, porém, podem estar erradas.

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