Tem na Netflix: Sex Education

Na contramão dos governos conservadores, Netflix apresenta uma série divertida e atraente para os jovens, mostrando que sexo deve ser discutido e debatido com bastante responsabilidade

janeiro 15, 2019 - Postado Por: Redação SOODA
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Na contramão dos governos conservadores, Netflix apresenta uma série divertida e atraente para os jovens, mostrando que sexo deve ser discutido e debatido com bastante responsabilidade.



O titulo já é sugestivo, e um tapa de leve na ascensão conservadora que se ver no mundo, que é contrário a educação sexual nas escolas. E claro, não só o titulo, mas os oito episódios é uma discussão sobre algo que já deveria não ser tabu em uma sociedade onde mais de 68 crianças, a cada mil nascidas, tem como mãe, jovens entre 15 e 19 anos. Ou ainda, 70% de casos de violências sexual notificados no Brasil acontece em jovens abaixo dos 17 anos. Algo que poderia ser evitado com educação sexual na escola, e não ao contrário, como é proposto pela Ministra Da Mulher, Família e Direitos Humanos.

A história tem uma sinopse inusitada. Um jovem de 16 anos (protagonizado por Asa Butterfield), que tem uma mãe que é terapeuta sexual, começa a dar conselhos sexuais e de relacionamento na escola, ajudando outros jovens pelos vários problemas em relação as suas questões sexuais. Com isso, ele tem a ajuda da jovem Maeve (Emma Mackey), uma pessoa com muitos problemas. E também o divertido Eric (Ncuti Gatwa), um jovem que está descobrindo muito mais que sua sexualidade. Em si, a série já teria muito a pautar, porém ela consegue interagir com muito mais temáticas de jovens, trazendo-nos a intensas reflexões sobre essa fase da vida.

Créditos: Netflix

Criada por Laurie Nuun, a história talvez assuste nos primeiros minutos de cada episódio, pois no inicio, é apresentado um novo casal, ou pessoa que tenha algum tipo de problema sexual, então as relações sexuais são algo constante. Desde disfunção erétil na adolescência, vaginismo, e também problemas de relacionamento, ou auto-aceitação. São plots que direcionam o episódio, e que chega a um final com alguma discussão que vale a pena ser relatada, aos jovens. Como dito antes, é uma discussão que quando vista em sala da aula é tratada como piada, ou ainda é constantemente ceifada pelos "valores tradicionais" de uma sociedade, e isso é mostrado como muita clareza e humor, mostrando que é importante pesquisar sobre o tema, para que os problemas sejam solucionados. Senão a ignorância se mantém, assim como a problemática.

O trio que está no protagonismo da série, é integrado e consistente, acaba fazendo rir, e se emocionar em bases mais sólidas da dramaturgia. Os adultos da série não fazem feio, assim como o elenco de apoio. Acho que se Malhação tivesse um elenco desse, seria recorde de audiência (hehehehe)

MUITO MAIS QUE SEXO

Para quem acha que a série fica só ao envolto das relações sexuais, talvez se surpreenda, ela vai muito além disso. Temas como drogas , conflitos entre pais e os jovens, primeiros amores, machismo no ambiente escolar, homofobia, estão entre os mais frequentes no enredo. E mostram que precisamos de muito mais que conselhos para sobreviver ao ensino médio, é preciso força e companheirismo para sobreviver a essa fase.

Créditos: Netflix

Alias, dois momentos na série me impactaram bastante, e eles tem haver com o meu lugar na sociedade como homem gay. E isso a série tem um ponto bastante positivo, que é a representatividade de temas. Causa gay, da mulher, homem negro, as pessoas gordas são tratadas com naturalidade, e sem aquelas piadas sem graças. Os corpos são bem diversos ao longo dos episódios, e sem a pressão, desse ou aquele ser feio/bonito. As discussões são outras e mais profundas. Sem contar que o clima hipster na série me encantou desde o inicio, com músicas anos 80 e 90, que só um jovem dessa tribo escuta hoje em dia, hehehhe.

MEU INCÔMODO

Meu incômodo com essa série mais uma vez se deu, com alguns adultos, que parecem que não ver os problemas dos jovens que estão ao seu redor. E apesar do pai do Eric (Deobia Oparei) e a mãe do Otis (Gillian Anderson) serem bastante sensatos e fodas pra caramba. Os outros adultos ao redor são burros... Fico me imaginando, esse povo nunca foi adolescente na vida? Porque agir dessa forma... Cada vez que o diretor da escola aparecia, queria dá uns gritos com ele. Provavelmente ele é eleitor do Trump, mesmo assim, precisa ser desse jeito?

Outro ponto a se questionar é o final da história, que deixou um monte de pontas soltas, porém todas elas desinteressantes suficientes para querer a segunda temporada para ontem. Diferente de "Você", outra série lançada pela Netflix recentemente. Terminei com a seguinte sensação "Ai que amor, se tiver uma segunda temporada, eu vejo se assisto". O que complica, chegar ao final de uma série sem um plot twist interessante para o que vem a seguir.

Enfim, Sex Education cumpre o seu papel de entreter e ajudar no ensino de jovens sobre a adolescência e suas mudanças. Agora cabe a família e a escola fazerem a sua parte no processo? Será que um dia será possível discutir esses assuntos de forma responsável e sem tabu?

Ps. Essa série provavelmente não será apreciada da mesma forma, por uma pessoa com uma mente menos liberal.


SEX EDUCATION
LANÇAMENTO: 11 de Janeiro de 2019
DURAÇÃO: 8 Episódios
PAÍS: Reino Unido
Comédia, Drama
04 ESTRELAS
Otis (Asa Butterfield) é um adolescente socialmente inapto que vive com sua mãe, uma terapista sexual. Apesar de não ter perdido a virgindade ainda, ele é uma espécie de especialista em sexo. Junto com Maeve, uma colega de classe rebelde, ele resolve montar sua própria clínica de saúde sexual para ajudar outros estudantes da escola.

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