Resenha: Munique - Robert Harris

janeiro 07, 2019 - Postado Por: Fábio Andrade
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A Segunda Guerra ainda tem muito a nos ensinar





Em nossa breve – e modesta – passagem pelo planeta terra aprendemos que os verdadeiros responsáveis pelo fim das guerras não são aqueles que derrama sangue nas trincheiras, mas sim os que assinam o comando de ordem. É justamente essa situação que vamos presenciar, e ser cúmplices, nessa história incrível de Robert Harris. Em seu mais recente romance, Harris retrata da forma mais eletrizante os acontecimentos por trás do Acordo de Munique (1938), tendo os dois principais nomes na Europa em um embate diplomático que resultou, momentaneamente, na salvação da Tchecoslováquia.

O já conhecido formato “best-seller” cai como uma luva durante o desenrolar de Munique, tendo até uma certa facilidade de projetar os acontecimentos futuros, tais como pontos de virada e momentos chaves da trama, porém isso não é demérito nenhum para a obra que consegue lhe prender do início ao fim. Em "Munique" podemos também constatar todo engajamento e paixão que Harris tem sobre o tema, a história – por mais ficcional que seja – consegue deixar o leitor em dúvida em vários momentos a respeito da veracidade dos fatos, ponto extremamente positivo para o autor que em poucas linhas consegue contextualizar toda a trama e apresentar os personagens de forma crua e direta.

“Minha consciência ficará tranquila. O mundo verá que eu fiz tudo que era humanamente possível para evitar a guerra. A responsabilidade agora repousa totalmente em Hitler”. Pág. 100.

Quem é o herói?
O alemão, Paul Hartmann e o inglês, Hugh Legat são os nossos olhos e ouvidos durante toda a história, enquanto um articula a melhor forma para que o primeiro ministro do Reino Unido tome a decisão mais difícil da sua vida da melhor maneira possível, o outro tenta se infiltrar nas intimidades do terceiro Reich em busca de informações que poderia terminar com a guerra naquele momento. De lados opostos, mas com visões iguais, Hartmann e Legal travam uma guerra interna de valores por um bem que cada um julga ser maior.



Como mencionado, Harris é um grande admirador desse período histórico e combinando toda essa gama de informações com um brilhante tato para a escrita, o resultado não poderia ser diferente que um ótimo livro. Um dos detalhes que mais me chamou a atenção é a atenção e o carinho que Robert toma ao descrever cenários, utilizando com sabedoria cores e texturas, torna a leitura – por mais rápida que seja – extremamente prazerosa e instigante.

“Então deu um último trago no cigarro e o posicionou delicadamente entre o polegar e o indicador, arrancou-o da piteira e o jogou longe para se desintegrar na calçada em uma cascata de fagulhas alaranjadas”. Pág. 62

Você mataria Hitler se pudesse?
É exatamente esse o levantamento que abre o clímax de Munique. Paul Hartmann é colocado contra a parede quando tem a chance de terminar todo o banho de sangue da segunda guerra com um ato de traição, apesar de ser um nacionalista fervoroso, Hartmann entende que para um bem coletivo, medidas extremas deveriam ser tomadas, mesmo aquelas que vão contra seus princípios.

A mensagem no intertexto do romance sufoca cada leitor de uma maneira diferente, apesar de toda tensão e interesse sobre os assuntos de guerra; trazer um pensamento íntimo de cada um é uma tarefa difícil para qualquer autor, por isso fica mais que explicito a relevância do autor. A autocrítica sobre arrependimento, tomada de ação e quebra de barreiras morais permeia ao longo de todo o livro, tornando Munique um livro que se destaca dos demais pelo glorioso fato da retorica está inserida a cada linha do romance.



“As palavras gélidas foram pronunciadas como uma sentença de morte profissional. Legat foi silenciosamente para o corredor, e suas altas aspirações no serviço civil britânico ficaram todas para trás”

Se você é um entusiasta no assunto, adora thrillers e espionagem, saiba que Munique – e toda a obra de Robert Harris – lhe concederá um dos melhores prazeres da vida, leitura e reflexão.


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Munique (Munich)
Autor: Robert Harris
Editora: Alfaguara (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 3.8 Estrelas / Goodreads: 3.8 Estrelas
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04 Estrelas
Setembro de 1938, Hitler está desesperado para começar a guerra. Chamberlain quer manter a paz a qualquer custo. O desfecho da disputa acontecerá em Munique, em um dos momentos decisivos que antecederam a Segunda Guerra Mundial. Robert Harris compõe mais um thriller impressionante, cheio de fatos e personagens históricos, que transporta o leitor para um dos momentos mais importantes da história mundial. Hugh Legat é uma estrela em ascensão no serviço diplomático britânico, servindo como secretário do primeiro-ministro, Neville Chamberlain. Paul von Hartmann é membro do time de relações exteriores da Alemanha, mas secretamente pertence a um grupo anti-Hitler. Os dois foram amigos em Oxford durante a década de 1920, mas perderam o contato com o tempo. Agora, enquanto Hugh viaja com Chamberlain de Londres para Munique e Paul acompanha Hitler em sua viagem noturna de Berlim, o caminho dos dois amigos está fadado a uma colisão desastrosa.
Autor: Robert Harris é autor de mais de doze best-sellers, além de ser vencedor de diversos prêmios, incluindo o Walter Scott de Ficção Histórica. Seus livros já foram traduzidos para mais de 35 idiomas, e ele é membro da Royal Society of Literature. Atualmente, vive na Inglaterra com a esposa, Gill Hornby.

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