Resenha: A Memória do Mar - Khaled Hosseini

Um livro de poucas palavras, mas muito a nos ensinar sobre empatia e detalhes da vida de outras pessoas, que não deveriam ser menos importantes.

janeiro 25, 2019 - Postado Por: Redação SOODA
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Um livro de poucas palavras, mas muito a nos ensinar sobre empatia e detalhes da vida de outras pessoas, que não deveriam ser menos importantes



Qual é a visão que você tem do Oriente Médio? não precisa tentar minimizar os seus sentimentos. Quando você escuta as palavras "O-R-I-E-N-T-E M-É-D-I-O" o que vem em sua mente? Com certeza não é difícil esquecer a trajetória de instabilidade e sofrimento a qual aquela região vem passado, especialmente depois da "Primavera Árabe" (conglomerado de revoluções populares, ocorridas em 2011, contra governos ditatoriais árabes). Guerras, mortes, repressão. Dificilmente, nenhum país desse eixo seria o próximo destino turístico de você e sua família

Mas nem sempre foi assim, Hosseini, conhecido pelo livro "Caçador de Pipas", tenta mostrar com muita sensibilidade, como era o mundo árabe, antes de toda dor e sofrimento que vem sido vivido em todos esses anos. Sob uma história que é contada, com se um tio estivesse contando uma história para o seu sobrinho, uma criança, que um dia, já viveu a felicidade de morar no Oriente Médio.

“A gente acordava de manhã cedo, com o farfalhar da brisa nas oliveiras, os berros da cabra de sua avó, o tilintar das suas panelas, o ar fresco e o sol, um risco pálido cor de caqui ao leste”




O livro é contado, por meio de versos e memórias, como se a história fosse contado a uma criança. Tudo se inicia, com memórias doces de uma infância nos arredores de Homs, na Síria. Um local, que era extremamente belo, pulsante, cheio de cores e cultura. Um retrato, que provavelmente foi tirado das memórias do próprio autor, e que ainda por cima é ilustrado maravilhosamente bem por Dan Williams, mostrando que a paz reinava (em algum aspecto), sob os olhos de uma criança.



Porém, começaram-se os protestos e tudo mudou...

“Mas aquela vida, aquela época, parece um sonho agora, até pra mim, um murmurio que há muito tempo se dissipou”


E a história e ilustrações mudam bruscamente, as cores vivas e pulsantes passam a ficar mais frias e homogêneas, cor de dor, cor de sangue. O autor escreveu pouco, porém conseguiu transparecer essas mudanças para que ninguém se esquecesse como era antes, o que aconteceu, e como ficou depois de tudo. A sensibilidade do autor é gritante. Ao mesmo tempo que ele consegue te passar o que é importante, ele não questiona as questões politicas que estão envolta do processo, somente os impactos de todos os acontecimentos na vida das pessoas. Especialmente as crianças, o público-alvo maior dessa história.



Por fim, o autor ainda toca em outra questão polêmica. Os refugiados, como o mundo os vê, mas principalmente, como é tão difícil ter que deixar aqueles que se amam, para conseguir sobreviver. Algo que talvez Le Penn, ou Theresa May nunca conseguirão entender. Que essas pessoas não estão ali porque resolveram ocupar um país de primeiro mundo. Estão ali, porque resolveram buscar algo muito maior: Às suas vidas. No final, esse é um grande recado depois de finalizar essa narrativa. Pensar mais sobre essas pessoas, vamos juntos resolver essa questão, não deixando-os que essas elas virem somente párias em nossa sociedade, mas sejam pertencentes.

Dia desses, vi em uma noticia sobre protestos de venezuelanos em Belém, pessoas criticando o protesto, que deveriam ficar calados em nosso país. Isso doeu, não somente pela falta de empatia, mas por não entender que o minimo que essas pessoas tem, ainda é pouco em relação a tudo que perderam, a tudo que deixaram para trás. E pessoas não entendendo isso, é dolorido. Portantpo, esse livro, é para mim, para você, mas principalmente, para evitar, que seres humanos como esses que responderam nos comentários da noticia dessa forma, possam crescer um pouco mais como pessoas.

"A Memória do Mar" é muito mais que um livro com palavras e ilustrações chocantes, bonitas, verdadeiras. É um livro que traz uma sensibilidade única, para que nós possamos ter um pouco mais de empatia para com o próximo. Para que mexa com o nosso coração, e a gente possa fazer um pouco mais, por essas pessoas que tanto precisam. Para que as memórias tristes fiquem apenas na memória dos refugiados. Se somos capazes de receber tão bem os turistas, porque não podemos receber tão bem os refugiados?


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A Memória do Mar (Sea Prayer)
Autora: Khaled Hosseini
Editora: Globo Livros
Ano: 2018
Skoob: 4.2 estrelas / Goodreads: 4.08 estrelas
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5 Estrelas
Um pai embala o filho enquanto contempla a noite em uma praia, à espera do amanhecer que trará o barco que os levará a uma nova vida do outro lado do Mediterrâneo. O homem conta para o menino sobre as lembranças da Síria de sua infância, um país encantador que foi destruído pela guerra, obrigando não apenas aquela pequena família, mas milhares de outras, a juntar todos os seus pertences e embarcar rumo ao desconhecido.
Autora: Khaled Hosseini nasceu no Afeganistão em 1965, seu pai era diplomata e sua mãe ensinava história em Cabul, Na década de 1980 se mudaram para os Estados Unidos e em Khaled se tornou escritor, sendo Best Seller em todo o mundo, com livros como O Caçador de Pipas.

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