Resenha: Juntos Somos Eternos - Jeff Zentner

Religião, Vocação e Luto estão entre os temas que deixam Juntos Somos Eternos dolorido e cheio de reflexões sobre o poder do livre-arbítrio

janeiro 08, 2019 - Postado Por: Redação SOODA
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Religião, Vocação e Luto estão entre os temas que deixam Juntos Somos Eternos dolorido e cheio de reflexões sobre o poder do livre-arbítrio




Existem duas coisas na vida que são impossíveis de mudar (outras também, mas vamos focar nessas duas coisas): Família consanguíneo e morte. Independente da crença de cada um, você nasce e já possui uma família, um vinculo, o qual em muitos casos é difícil de quebrar, especialmente quando a religião está envolvida. Assim como, a morte, ela é inevitável e chega para todos, mesmo com o grande avanço da ciência. Não é que não dê, é que não dá. Então constituir uma história que perpasse por essas discussões é extremamente complexa, e quando um autor consegue fazer isso com muita qualidade, merece ser conhecido. É o caso de Juntos Somos Eternos de Jeff Zentner.

A história acontece em Forrestville, uma cidadezinha próxima de Nashville, onde conhecemos três jovens, muito diferentes, mas que são unidos pela solidão. Dill, Travis e Lydia. O primeiro é de uma família extremamente religiosa, que teve seu laço quebrado, quando o pai foi preso por posse de pornografia... Infantil. Já o jovem Travis é amante de livros de fantasia, onde ele tenta se esconder de uma realidade dolorosa que ele vive em casa. E a jovem Lydia, já tem um futuro relativamente delineado, com um blog bastante popular no país, mas que não pegou em sua cidade, que é considerada por ela "cafona demais" para viver. Sua vida está na cidade grande. Os três precisam enfrentar o último ano da escola. Mas só vão conseguir fazer isso juntos.

Uma história que perpassa pelo discurso religioso

Zentner deixa bem claro suas intenções sobre a religião. Trabalhou como missionário durante muito tempo, inclusive no Brasil, então conhece a discussão no qual tece. Dill é filho de um pastor, que tem dogmas peculiares em sua igreja, porém a capa, o qual seu pai veste é esconderijo para seus problemas que o levaram a prisão. Apesar disso não acontecer na história contada. Ficamos sabendo da relação dos dois, do quanto Dill adorava o seu pai, e sempre fazia de tudo para respeita-lo, e como essa confiança foi quebrada.

A mãe de Dill está no plano do fanatismo religioso que acaba se assolando parte da população cristã, ela não quer que ele frequente a faculdade e acha que ele deve ter um dever com a família. discurso religiosos distorcidos e perigosos. Muito me faz lembrar, a atual ministra brasileira da Mulher, Família e Diretos Humanos, Damares Alves, que a partir de entrevistas que assisti sobre ela, me parece que a senhora possui boa vontade, e passou por situações difíceis, mas a lente religiosa distorceu as intenções dela que podem mais atrapalhar, do que ajudar o desenvolvimento do Brasil. É só ver o discurso dela sobre a critica ao SISU, onde ela discorda que os jovens se desloquem para outros pontos do país para participar de processos seletivos, justificando a quebra de vinculo familiar. Vocês verão muito da Damares na mãe de Dill.

Nesse processo, é importante ter em mente, que as criticas de Zentner, não dizem respeito a religião em si. Se prestarem bem atenção, ele discorre sobre a fé, e como Dill a possui até o final da história. A critica dele é sobre como uma parte da população cristã distorce os dogmas e crenças religiosos, aos seus interesses e como é importante tomar cuidado para que isso não tome conta de sua vida.



Uma abordagem sobre violência doméstica

Sempre com uma justificativa, a violência doméstica se faz presente na vida de milhões de pessoas, sejam mulheres, ou crianças e adolescentes. E isso torna prejudicial a vida dessas pessoas, que acabam tendo dificuldades de se desvincular do seu abusador, principalmente se for da família. E, o autor coloca essa questão em discussão para refletir, criar empatia, e quem sabe, ajudar em mecanismos de mudanças de paradigmas para quem passa por isso.

Cidade Pequena X Cidade Grande

Provavelmente uma das personagens das quais me identifiquei na história, foi Lydia, e com certeza foi uma das personagens que mais odiei amar. Ela era chata, mas entendo. É uma chatice que tinha ver com a não identificação dela com o contexto, da qual ela vivia. Ela tinha sonhos e ambições que não cabiam no lugar onde vivia, mas precisava aprender a respeitar as escolhas dos outros. E participar das mudanças que seus amigos estavam dispostos. Me senti representado por ela, pois durante muito tempo não me reconhecia como morador de uma cidade como Belém. Acreditava que era maior que isso. Claro, que ao longo desses 29 anos, percebi que estava enganado, e que essa cidade faz parte de mim, mesmo que um dia eu saia dela. Mas as experiências vividas aqui serão lembradas para sempre.



O Luto

Para quem leu Dias de Despedida de Jeff Zenter, percebeu que as questões de Luto são bastante abordas por ele. Aqui em menor escala, mas que tem a sua importância e impacto significativo para a história. Zentner sabe como desenvolver como o luto impacta a vida das pessoas, e a importância de outras pessoas se unirem para que se passe por ele de maneira que seja bem menos dolorido. Aaaaaaaaaaai Zentner, você me fez chorar !!!

Juntos Somos Eternos é uma história sensível, divertida em alguns momentos e importante para que a gente seja capaz de fazer decisões importante, pesando a felicidade que precisamos para continuar. Seja a nossa, ou ainda daqueles que nos cercam. As vezes, nem todo mundo entende. Nesse momento, é hora de colocar em frente, que nós vamos conviver com as nossas escolhas e não os outros, então, é nossa prioridade fazer escolhas que somos capazes de suportar no futuro, que nos faça viver, não apenas sobreviver.


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Juntos Somos Eternos (The Serpent King)
Autor: Jeff Zentner
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 4.4 Estrelas/ Goodreads: 4,19 Estrelas
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05 Estrelas
Dill não é um garoto popular na escola ― e não é culpa dele. Depois de seu pai se envolver em um escândalo, o garoto se tornou alvo de piadas dos colegas e passou a ser evitado pela maioria das pessoas na cidadezinha onde mora. Felizmente, ele pode contar com seus melhores amigos, Travis e Lydia, que se sentem tão excluídos ali quanto ele. Assim que os três começam o último ano do ensino médio, mudar de vida parece um sonho cada vez mais distante para Dill. Enquanto Travis está feliz em continuar no interior e Lydia pretende fazer faculdade em uma cidade grande, Dill carrega o peso das dívidas que seu pai deixou para trás. Só que o futuro nem sempre segue nossos planos ― e a vida de Dill, Travis e Lydia está prestes a mudar para sempre.
Autor: Jeff Zentner é um autor norte americano que mora em Nashville e começou a sua carreira criativa, como compositor de músicas. Em 2016 lançou seu primeiro livro "The Serpent King" - Juntos Somos Eternos. E mais tarde lançou "Goodbye Days" que foi lançado no Brasil como "Dias de Despedida". O autor também morou dois anos na região Amazônica e fala português fluentemente

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