Resenha: O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafón

De volta ao Cemitério dos Livros Esquecidos, com ainda mais mistérios e reviravoltas que vão te fazer devorar 520 páginas e ficar querendo mais!

novembro 28, 2018 - Postado Por: Rosane Santos
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De volta ao Cemitério dos Livros Esquecidos, com ainda mais mistérios e reviravoltas que vão te fazer devorar 520 páginas e ficar querendo mais!




Ler Zafón é simplesmente uma espécie de hipnose, ele consegue te prender de uma forma que é até difícil de explicar. Confesso que me assustei quando vi o livro: uma coisinha de 520 páginas! Mas olha, a leitura flui de uma forma que você nem mesmo percebe e quando vê, acabou e você fica querendo mais.

Importante ressaltar que a série O Cemitério dos Livros esquecidos não precisa ser lida em uma ordem específica, "O Jogo do Anjo" é o segundo volume na ordem de lançamento, porém confesso que no final fiquei querendo ter começado por esse ao invés de A Sombra do Vento, que por sinal já tem resenha aqui no blog (clique aqui), o que me fez ficar com vontade de ler o livro de novo. Zafón mexe com a cabeça da gente desse jeito. Agora vamos para a história.



"O Jogo do Anjo" nos apresenta um personagem que nunca teve muita sorte na vida, trabalhando em um jornal para conseguir sobreviver, até que vislumbra uma chance de ter o seu talento reconhecido quando é contratado para escrever histórias policiais em uma coluna no jornal. O talento do jovem escritor logo começa a incomodar os colegas, que o tratam como se ele nem existisse.

“Já naquele tempos, meus únicos amigos eram feitos de papel e tinta. Na escola, tinha aprendido a ler e escrever muito antes das outras crianças do bairro. Onde meus colegas viam manchas de tinta em páginas incompreensíveis, eu via luz, ruas, gente. As palavras e o mistério de sua ciência oculta me fascinavam e, para mim, eram a chave que abria um mundo sem fim e a salvo daquele caos, daquelas ruas e daqueles dias turvos em que até eu podia intuir que uma sorte minguada me esperava”. p. 41

Apesar de ter sido reconhecido pela histórias policiais, David nunca logrou um sucesso substancial, sempre às sombras de seu amigo e mentor Pedro Vidal. Aos 28 anos David não tem muito do que se orgulhar em sua vida e ainda se descobre com uma doença terminal. É quando ele se vê compelido a aceitar a oferta do misterioso editor Andreas Corelli, que já alguns anos tenta contratar David para escrever um livro com promessas de coisas que ele mais deseja: sucesso, dinheiro, fama e saúde. O que David não imaginava é que todas essas coisas que ele tanto desejava poderiam ser a verdadeira causa de sua ruína.

“[...] Sempre senti, a vida inteira, que as páginas que ia deixando à minha passagem eram parte de mim. As pessoas normais traziam filhos ao mundo; os romancistas traziam livros.” p. 365

O tal livro encomendado seria uma espécie de novo evangelho, o que de início lhe parece algo inconcebível. Porém conforme vai trabalhando no livro, David se vê envolto de diversos mistérios e sua vida começa a tomar rumos desesperadores, tudo isso ligado ao livro e o tal editor misterioso.

“[...] Neste lugar, os livros que ninguém mais lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando o dia em que chegarão às mãos de um novo leitor, de um novo espirito…” p. 505-506

Temos, é claro, a introdução de David ao Cemitério dos Livros Esquecidos e é interessante observar como o Zafón vai nos mostrando aos poucos os mistérios que cercam esse lugar e tudo o que ele representa. E aqui quem faz essa introdução é o Sr. Sempere, o que me deixou meio maluca com a cronologia e eu tive que parar um tempo para entender a ligação entre os livros, mas deu tudo certo hahaha.

“Meu lugar favorito em toda a cidade era a livraria Sempere & Filhos, na rua Santa Ana. Aquele lugar cheirando a papel velho e poeira era meu santuário e refúgio.” p. 42

A narrativa construída por Zafón é incrível, é uma trama cheia de reviravoltas, de descobertas e surpresas que deixam o leitor sem fôlego. É interessante como tudo começa de forma lenta, a ambientação e a apresentação dos personagens, e depois temos uma narrativa com um ritmo frenético, cheio de mistérios e quebra-cabeças que aos poucos vão se encaixando. Ele nos leva em uma viagem maravilhosa pelas ruas de Barcelona. É genial.

David acaba mostrando como de certa forma os livros ao mesmo tempo que salvam podem provocar a ruína, o poder que um livro pode exercer sobre uma pessoa. Apesar de não se considerar vaidoso, muito vezes até praticando a autossabotagem, David se deixou levar pelas perspectivas de glória e acabou arriscando o que mais apreciava: o amor da mulher da sua vida e o amor pela escrita. É como se no momento em que ele aceitou trabalhar para Corelli tivesse sido decretada a sua morte.



Aqui também temos uma combinação de realidade e sobrenatural, algo que não foi tão marcante em A Sombra do Vento e que me fez estranhar um pouco, talvez eu estivesse esperando por um desfecho mais, por falta de uma palavra melhor, racional, o que fez não dar 5 estrelas para esse livro. Mas isso não retira o fato de esse ser um livro excepcional, eu fico muito impressionada com a escrita do Zafón, o que mais faz querer ler mais e mais coisas que ele escreve. De verdade, se você nunca leu nada dele corre porque você não vai se arrepender.


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O Jogo do Anjo (El juego del ángel)
Volume #2, O Cemitério dos Livros Esquecidos
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras (Companhia das Letras)
Ano: 2017
Skoob: 4.3 Estrelas / Goodreads: 3.8 Estrelas
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04 Estrelas
Barcelona, anos 1920. David Martín tem vinte e oito anos, uma casa em ruínas e um talento para a literatura que nunca o protegeu de desgraças ou lhe trouxe qualquer glória. Com uma doença terminal e vendo o amor da sua vida nos braços do melhor amigo, David passa os dias em sua mansão lúgubre, escrevendo séries policiais e vendendo barato o seu talento. É quando surge Andreas Corelli, um misterioso editor estrangeiro com uma proposta irrecusável. Fama, dinheiro, saúde: tudo em troca de um único livro. Um livro que terá o poder de influenciar milhões de vidas. Um novo evangelho. Mas, conforme a obra se desenvolve, David percebe que existe uma conexão sinistra entre o livro que está escrevendo e as sombras que envolvem sua casa dilapidada — e que seu editor também esconde alguns segredos perturbadores. Mais uma vez, Zafón nos leva por uma Barcelona sombria e gótica, em uma trama cheia de intrigas, romance e tragédia.
Autora: Carlos Ruiz Zafón é um dos autores mais lidos e conhecidos em todo o mundo. Iniciou sua carreira literária em 1993 com O Príncipe da Névoa (Prêmio Edebé), seguido por “O palácio da meia-noite”, “As luzes de Setembro (reunidos em volume único chamado A Trilogia da Névoa) e Marina. Em 2001 publicou seu primeiro romance para adultos, A sombra do vento, que não demorou a se transformar em verdadeiro fenômeno literário internacional. Com O jogo do Anjo (2008), retorna ao universo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Suas obras já foram traduzidas para mais de quarenta línguas e já conquistou inúmeros prêmios, além de milhões de leitores ao redor do mundo.

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