Resenha: Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Hank Green

Provavelmente, o livro YA mais louco que você vai ler esse ano

outubro 15, 2018 - Postado Por: Francisco Neto
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Provavelmente, o livro YA mais louco que você vai ler esse ano




Em uma semana, onde pelo menos 50 ataques de apoiadores do candidato do PSL à presidência da República do Brasil, ler Uma Coisa Absolutamente Fantástica do autor norte-americano Hank Green, se tornou algo realmente esclarecedor sobre a índole humana. É como se ele estivesse escrito esse livro para brasileiros. Mas aí você percebe que nos Estados Unidos aconteceu a mesma coisa em 2016 e finalmente caí em si. Essa obra foi escrito para retratar a nossa época de polarização do mundo.

A história inicia com a jovem April May esbarrando com uma escultura gigante no meio de Nova York. Encantada com o robô de três metros de altura que ela via em sua frente, chamou o amigo Andy para gravar o vídeo para o Youtube. O que ela não imaginava é que no dia, 64 esculturas semelhantes tinham sido colocadas ao redor do mundo, e que ela havia gravado um furo que mudaria a sua vida. April estava no meio de um grande mistério, e junto com isso ela teria que lidar com todas as intercorrências da vida de uma celebridade da WEB. Estaria ela preparada para o que vinha a seguir?

SOBRE A INTERNET E A POLARIZAÇÃO DAS IDEIAS

Assim como John Green, Hank consegue tirar da simplicidade de uma história, questões muito importantes a serem discutidas. A principal diferença é que o clima no-sense, percorre por todo o livro. Inicialmente o livro traz o mistério dos Carls para o centro da discussão e como as pessoas estão lidando com ele em meio ao universo virtual. A curiosidade humana, o fetichismo pelo diferente, a audiência online sobre todas essas questões, com todo mundo comentando, o que seria os Carls, do que eles seriam capazes e como eles apareceram sem que ninguém soubesse.

É interessante, que nós conseguimos ver todas essas nuances em nossos dias atuais. Como os assuntos logo são tratados no Twiter, compartilhados no Facebook e Instagram, e conforme eles vão ficando mais complexos começam as teorias sobre ele em fóruns como o Redit. E mais, conforme o assunto ganha visibilidade na internet. Os meios de Comunicação de Massa trazem ele para a televisão tendo vários agentes mediadores nesses casos. Foi o que aconteceu com April, que com o tempo se tornou a principal entrevistada sobre o assunto, ganhando muito dinheiro com os Carls.



E aí com essa pulverização de ideias, aos poucos elas começam a se consolidar em dois grandes grupos. O primeiro delas veem os Carls como agentes passivos que querem que os seres humanos trabalhem juntos, a tese defendida por April, E o segundo ver os Carls como uma verdadeira ameaça a humanidade. Afinal de contas, nada conseguiam mudar eles de lugar, e aos poucos eles começaram a produzir coisas estranhas, inclusive imergindo as pessoas em sonhos específicos.

Nesse momento, a história centra-se principalmente na polarização de duas ideias, que provocaram verdadeiros embates. É difícil não associar essa mudança de curso da história, com os acontecimentos nos Estados Unidos, e mais recente no Brasil. Onde um ideal estava adormecido, mas com discursos inflamados, eles conseguiram se estabelecer e serem conhecidos. E mais, como o próprio lado mais passivo da história deixou isso acontecer por ter entrado no "jogo do ódio". O ideal mais odioso se pulverizou praticando atos extremamente violentos e que deram mais visibilidade. E isso se torna muito evidente nos dias de hoje. É a hora de rever as estratégias para finalmente trazer a humanidade por um bem comum.

Isso é díficil, especialmente para os líderes que estão no centro desses embates. Nesse caso, April teve que finalmente vencer a sua luta interna pelo poder que "supostamente" ela tinha por ter mais informações sobre os Carls do que outras pessoas e teve que compartilhar a sua luta junto com outras pessoas para que assim eles conseguissem fazer atos juntos. Amigos foram fundamentais nesse processo, pena que April entendeu a importância disso depois que o caos estava instalado.

SOBRE SER JULGADO TODO O TEMPO NO TRIBUNAL DA INTERNET

Sim, todo o tempo estamos na internet e somos julgados. Assim como no mundo real, a diferença é o nível em que isso acontece é muito maior. Existem mais pessoas fazendo esse trabalho de simplesmente questionar tudo aquilo que você faz, por aquilo que você é. April sentiu isso quando as pessoas descobriram a sua bissexualidade. Alias, foi inclusive recomendação do seu agente que ela se dissesse Lésbica, ou Hétero, pois ser Bi, incute um julgamento muito forte sobre "não se decidir", ou algo no espectro da promiscuidade. Julgamentos que não representam nenhum pouco o trabalho que April estava tendo nesse processo.



SOBRE USAR A INTERNET COM INTELIGÊNCIA COLETIVA

Uma das questões mais importantes desse livro com certeza é entender a internet como um espaço de discussão e de inteligência coletiva. Hank Green lida e discute sobre isso o tempo inteiro em seus videos, e não seria em seu primeiro livro um assunto deixado de fora. Carl estava na vida real das pessoas, mas resolver esse mistério exigia inteligência coletiva, a ajuda das mais diversas pessoas para finalmente chegar ao bem comum, e sempre colocando para o lado aquilo que poderia atrapalhar, sendo consciente e não deixando que isso crescesse.

No final Uma Coisa Absolutamente Fantástica é um livro sobre nós. Sobre como lidamos com o mundo real, o mundo virtual, com a inteligência coletiva, com o ódio, com as responsabilidades sobre nossos atos e como podemos ser pessoas melhores, quando nos focamos naquilo que realmente importa. Os Carls me ensinaram muito sobre isso, e espero que eles estejam na sua lista de leitura, poque provavelmente esse será o melhor livro YA que você verá esse ano.


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Uma Coisa Absolutamente Fantástica (An Absolutely Remarkable Thing)
Autor: Hank Green
Editora:Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2005
Skoob: 4,3 Estrelas / Goodreads: 4,32 Estrelas
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04 Estrelas
Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial.
Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós.
Divertida e envolvente, essa história trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo e o desconhecido e, principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização.
Autor: Hank Green começou a fazer vídeos no YouTube em 2007 com seu irmão, John. Eles pensaram que era uma ideia idiota, mas acabou bem. Ele agora é o CEO da Complexly, que produz SciShow, Crash Course e quase uma dezena de outros canais educacionais do YouTube, o que levou o The Washington Post a chamá-lo "um dos professores de ciências mais populares da América".

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