Resenha: Sonata em Punk Rock - Babi Dewet

Bem-vindo à Cidade da Música... Tim irá mostrar que às vezes o que precisamos realmente é de um pouco de punk rock e muita dedicação!

outubro 01, 2018 - Postado Por: Rosane Santos
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Bem-vindo à Cidade da Música... Tim irá mostrar que às vezes o que precisamos realmente é de um pouco de punk rock e muita dedicação!





Em “Sonata em Punk Rock” nós somos apresentados a um mundo maravilhoso cheio de música, cores e dança: a Cidade da Música. No primeiro volume dessa série nós conhecemos a jovem Valentina Gontcharov, ou como ela prefere ser chamada, Tim. Tim foi criada pela mãe, pois o pai as abandonou quando ela era muito nova e nunca mais deu notícias. Ela e a mãe se viravam como podiam, trabalhavam muito, mas Valentina tinha o grande sonho de ser uma estrela do PUNK ROCK.

Quando recebeu a notícia de que fora aceita para estudar em um dos conservatórios de música mais famoso e prestigiado do país, a Academia Margareth Vilela, ela se viu em um grande conflito: deixar o seu sonho para trás, uma vez que não tinha dinheiro para bancar os estudos ou aceitar a oferta do seu pai, que depois de anos resolveu aparecer para ser o “salvador” da filha. Bem, Valentina decide então que é melhor aproveitar a oportunidade para seguir seus sonhos e no futuro devolver o dinheiro investido pelo pai.



Valentina é uma garota de personalidade forte, ela enfrentou dificuldades na vida, tendo que crescer sem a presença do pai, sem saber quase nada sobre ele e vendo o quanto a mãe se esforçava para lhe dar a melhor vida que podia, ela sempre encontrou na música o seu refúgio, o seu lugar seguro, ter a chance de estudar em uma das melhores academias, com professores de diversos países parecia um sonho quase impossível então ela agarrou aquela oportunidade com todas as forças.

Valentina então se vê em um mundo completamente diferente. A Academia Margareth Vilela era algo que não poderia imaginar nem em seus sonhos. Ali ela terá que enfrentar problemas mais diversos, desde as aulas completamente rigorosas, até o preconceito que sofre dos demais alunos por ser tão diferente de todos: Valentina tem seu próprio estilo punk rock, com cabelo longo platinado, com roupas descoladas e seus coturno inseparável, ela chama a atenção de todos por onde passa, além de aparentemente ser a única aluna que não nasceu em um berço de ouro. Valentina tem que lidar ainda com o fato do pai ser um famoso violinista, ex-aluno da Academia, o que dificulta ainda mais para que ela se encaixe naquele lugar. Para completar, Valentina acaba conhecendo, de forma totalmente inusitada, o maravilhoso e misterioso Kim, que aparentemente é uma das celebridades da academia e parece sempre estar de mal humor e desprezando a todos os demais alunos.



Valentina precisa encontrar uma maneira de lidar com todos esses acontecimentos, com o fato de que sua vida se transformou completamente em tão pouco tempo e que ela teria ainda um grande desafio pela frente: aprender a tocar piano, desafio que assumiu e do qual não estava disposta a desistir sem dar tudo de si. Ela então bola um plano para fazer com que Kim, um gênio do piano, lhe dê aulas particulares. Ela se vê então em uma situação muito complicada, ela terá que fazer sacrifícios e nada será tão fácil e tão prazeroso quanto ela imaginava, ela terá que abraçar a música clássica, o que acaba duelando com o seu lado punk rock.

Os olhares tortos e os cochichos que recebia por ser tão diferente dos demais alunos fizeram com que ela se sentisse sozinha por um tempo, mas foi bom ver o quanto ela foi evoluindo, ela não se deixou abater pelos comentários maldosos, sabia que era boa e que merecia estar ali, era esforçada e não desistiria tão fácil. Essa é uma personagem que evoluiu bastante, ela descobriu coisas sobre ela mesma que nem imaginava, mas sem nunca perder sua essência, ela sabia que poderia ser melhor a cada dia e que poderia tentar coisas novas, descobrir novas versões de si mesma.

“Valentina ficou nervosa. De repente, não sabia se iria se encaixar naquele lugar. Parecia exigente demais, certinho demais, disciplinado demais. Estava acostumada com o caos do punk rock, em ser impulsiva, em mostrar o que sente em forma de acordes de guitarra. Olhou ao redor. Mas ela amava música, certo? Era a única coisa que sabia fazer direito, que tinha nascido para fazer.” p. 36

E o que falar do Kim? Totalmente galã de dorama hahahaha. Todo fechado, parece que odeia o mundo, mas no fundo é cheio de inseguranças e tem os seus próprios problemas, conforme vamos conhecendo mais sobre ele percebemos que ele também não teve uma vida tão fácil assim. É interessante ver como se desenvolve a interação dele com a Tim, ao mesmo tempo que parecem se odiar é como se de alguma forma um precisasse do outro para serem melhores, eles tinham muito o que aprender um com o outro.

“A vida é como uma orquestra: são necessários muitos instrumentos em harmonia para que a música toda faça sentido. Mas, na maioria das vezes, você nem sabe tocar esses instrumentos. E sempre vai ter alguém dizendo que seu gosto musical é ruim, mesmo que seja o som que te faz feliz. E isso é um saco! Principalmente quando se é jovem e cheio de sonhos” p. 281

Sonata em Punk Rock foi uma grata surpresa, é uma leitura leve, divertida, com um toque de romance na medida certa e com muitas referências ao mundo pop, k-pop, confesso que sou meio por fora e não entendi todas hahaha. Ele também traz questões sobre empoderamento, representatividade e uma palavra que marcou muito foi sororidade, ponto positivo para a autora por saber abordar tudo isso de forma leve e natural. Algo que me incomodou um pouco foi que em alguns momentos eu senti uma certa repetição desnecessária, me pegava pensando que já tinha lido a mesma coisa em outras páginas e até pensei que estivesse lendo a mesma página por engano, foi algo que me incomodou e fez travar um pouco o ritmo da leitura.



Além disso eu fiquei muito bugada porque a melhor amiga da personagem principal do nada sumiu e só reapareceu lá pelo final da história. Tipo, tudo bem que a vida da Tim tava uma loucura mas parecia que ela nem sequer fazia esforço para entrar em contato com a amiga, foi muito estranho isso.

Então quem está procurando uma leitura descontraída, com essa pitada de k-drama e um clima musical vai se deliciar com essa história. O segundo volume da série Cidade da Música, "Allegro em Hip-Hop" já foi lançado e eu estou bem ansiosa para ler a continuação.


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Sonata em Punk Rock
Volume #1, Série Cidade da Música
Autora: Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Ano: 2016
Skoob: 4.1 Estrelas
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04 Estrelas
Por que alguém escolheria uma orquestra se pode ter uma banda de rock? Essa sempre foi a dúvida de Valentina Gontcharov. Entre o trabalho como gerente do mercado do bairro e as tarefas de casa, o sonho de viver de música estava, aos poucos, ficando em segundo plano. Até que, ao descobrir que tem ouvido absoluto e ser aceita na Academia Margareth Vilela, o conservatório de música mais famoso do país, a garota tem a chance de seguir uma nova vida na conhecida Cidade da Música, o lugar capaz de realizar todos os seus sonhos. No conservatório, Tim, como prefere ser chamada, terá que superar seus medos e inseguranças e provar a si mesma do que é capaz, mesmo que isso signifique dominar o tão assustador piano e abraçar de vez o seu lado de musicista clássica. Só que, para dificultar ainda mais as coisas, o arrogante e talentoso Kim cruza seu caminho de uma forma que é impossível ignorar. Em um universo completamente diferente do que estava acostumada, repleto de notas, arpejos, partituras, instrumentos e disciplina, Valentina irá mostrar ao certinho Kim que não é só ele que está precisando de um pouco de rock and roll, mas sim toda a Cidade da Música.
Autora: Babi Dewet nasceu dia 30 de dezembro de 1986, no Rio de janeiro. No início da adolescência, morou em Alto Paraíso (GO). É formada em Cinema e dona de uma escola com o projeto de reeducação para jovens. Se considera uma eterna adolescente, sempre em busca da Terra do Nunca. Leitora assídua, é apaixonada por cultura pop, literatura fantástica e bandas britânicas. Fã de carteirinha de fenômenos como Harry Potter e Crepúsculo, também adora os clássicos de Jane Austen e espera um dia conseguir criar personagens tão fortes como os do André Vianco. Seu maior sonho era ser uma estrela do Rock, mas sem talento musical, encontrou nos livros sua verdadeira vocação.

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