Resenha: Shirô - Danilo Beyruth

Shirô traz em seu enredo, uma história de honra, sangue, samurais e Yakusa. Tendo como pano de fundo a interação entre São Paulo e Japão

outubro 05, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Shirô traz em seu enredo, uma história de honra, sangue, samurais e Yakuza. Tendo como pano de fundo a interação entre São Paulo e Japão




Desde que os japoneses chegaram aqui no Brasil há 120 anos, integrou-se a cultura brasileira algo totalmente diferente do que estávamos acostumados. Uma cultura tradicional, que tem fortes dogmas que é mantida até os dias de hoje. São mais de 1,5 milhões nikkeis vivendo no Brasil, se tornando assim, um dos locais com maior número de japoneses fora do Japão. Com isso, sua cultura já faz parte da nossa. Os animes, a comida e as artes marciais são os pontos mais evidentes. Bairros, como o da Liberdade guarda muito mais dessa cultura e nos apresenta com muito cuidado e respeito. E esse bairro é o pano de fundo da homenagem que Danilo Beyruth resolveu criar em formato de HQ. Shirô mostra muito sobre os japoneses, mas também sobre como nós observamos a cada um deles.

Na história conhecemos Akemi, uma jovem que acabara de perder o seu avô e acabou se envolvendo em muitos problemas. Talvez o maior deles tenha sido uma grande encrenca que envolve a sua relação com os Yakuzas, uma centenária organização criminosa que perpassou por várias dinastias e sobrevive até os dias de hoje com muito esforço. Com isso, Akemi tem uma dificuldade de confiar em qualquer pessoa. Porém, um jovem, o qual ela resolveu chama-lo de "Shirô", que não tem qualquer memória de seu passado, e foi encontrado com apena uma Katana, parece ser o seu único braço dela na luta para continuar viva.

Shirô é uma HQ que parece ser simples em sua construção, tem um bom enredo que lembraria muitos filmes com bases orientais, ele é excitante e cheio de altos e baixos, e com um pouco (muito) sangue jorrando. Quem assistiu Kill Bill, ou qualquer filme de Jackie Chan, com certeza está no escopo dessa HQ. Porém, ela traz muitas questões que imergem qualquer pessoa que tenha interesse na cultura japonesa, de maneira interessante e encantadora, apesar de sua brutalidade.



DO TRADICIONAL AO MODERNO

Danilo Beyruth que já é conhecido no Brasil em obras como Astronauta (MSP GRAPHIC), e também tem trabalhos na Marvel, abusa de traços mais intensos para mostrar a importância da honra dos samurais, ou ainda detalhes da Yakuza, e questões referentes a cultura japonesa, sendo uma intensa imersão a cultura, no interior do nosso país. É como se ele quisesse mostrar aos brasileiros que os japoneses tem uma cultura maravilhosa que merece ser vivenciada.

Alias, uma das coisas mais gostosas de ver nessa HQ é São Paulo no centro desse enredo, os seus grandes edifícios integrados aos templos do bairro da liberdade, e também colônias que ficam mais afastadas da capital. É como se finalmente os brasileiros também fizessem parte dessa cultura, desse povo. A gente se sente pertencente a todo esse processo de intrigas, honra, e quem sabe, um pouco de sangue. Trazer essa perspectiva para o nosso interior é tão bacana, e dá um ganho considerável na história.



PERSONAGENS MARCANTES

A história centra-se principalmente na figura de dois personagens. Akemi e Shirô, e com certeza eles são marcantes e tem suas construções bem narradas, com alguns pequenos furos de enredo, mas que no geral eles tem uma complexidade muito grande. Akemi está longe de ser as mocinhas, os quais estamos acostumas a ler. Ela é extremamente forte e poderosa, e também humana com certa propensão a erros. Ela também foi ilustrada sem uma sexualização, ou traços exacerbados. Shirô, é um personagem um pouco mais introspectivo e que vamos descobrindo as suas características e camadas conforme vamos avançando na história. A única coisa que me incomodou nele, foi a descoberta brusca de quem ele era de fato. Mas entendo que era importante para o andamento dessa primeira HQ.



EDIÇÃO PRIMOROSA

É difícil dizer que obras a Darkside Books deixa a desejar no que diz respeito a projeto gráfico. Esse é o tipo de HQ para ficar para nossos filhos e netos. A sua capa toda fosca e com apenas alguns detalhes envernizado dão um toque mais nobre ao trabalho do Danilo Beyruth. E o que dizer das ilustrações. Todas muito bem desenhadas e com aspectos que colocaram o Danilo entre os brasileiros que tem trabalhos reconhecidos no exterior. A única coisa que me incomodou foi a proximidade de alguns rostos masculinos que às vezes me confundiam durante a leitura.

Shirô é aquele tipo de thriller recheado de altos e baixos trazendo vários momentos de tensão, muito sangue e honra, unido a uma grande homenagem a cultura japonesa que está intrínseca ao nosso grande país.


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Shirô
Autor: Danilo Beyruth
Editora: Darkside Books
Ano: 2018
Skoob: 4.5 Estrelas
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04 Estrelas
Samurai Shirô conta a história de lutas sangrentas pelo poder, honra familiar e do reencontro violento com o passado, vivido no agora por samurais modernos e a yakuza (a máfia japonesa), que usa de cenário o bairro da Liberdade, na cidade de São Paulo. Akemi é uma jovem descendente de japoneses que vê surgir em seu caminho um estranho homem sem memória, com uma katana (tipo de espada japonesa), e passa a ser perseguida pelos yakuzas. Ela vai precisar enfrentá-los, assim como seu próprio passado, para sobreviver.
A narrativa de Samurai Shirô, em ritmo veloz, é repleta de ação e dialoga com a intensidade e diversidade da principal metrópole do país, para onde migraram milhares de orientais, e considerada a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão. A arte em preto e branco de Danilo Beyruth dialoga com o universo imagético dos filmes de samurai de Akira Kurosawa, como Yojimbo, o Guarda-Costas e Sete Samurais, além dos mangás, como Lobo Solitário. Sem perder sua característica, o traço dinâmico de Beyruth se desafia a contar uma história de luta pelo poder e pela honra dentro da tradição de histórias de ação japonesas, lidando com suas marcas e símbolos como um verdadeiro sensei.
Autor: Danilo Beyruth é quadrinista e ilustrador, vencedor de diversos prêmios HQ Mix. Em 2009, publicou o seu primeiro álbum, Neucronauta: O Soldado Assombrado. Lançou Astronauta pelo projeto MSP Graphic e também desenhou para a Marvel Comics (Motoqueiro Fantasma, Guardiões da Galaxia, Cable).

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