Resenha: Quem Tem Medo do Feminismo Negro? - Djamila Ribeiro

O livro da filósofa Djamila Ribeiro, é obrigatório para o momento atual do nosso país. E para qualquer momento.

outubro 22, 2018 - Postado Por: Rafael Lutty
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O livro da filósofa Djamila Ribeiro, é obrigatório para o momento atual do nosso país. E para qualquer momento.




Djamila Ribeiro é mestre em filosofia pela Unifesp, colunista das revistas Elle e Carta Capital e ativista dos direitos das mulheres negras. A paulista, nascida em Santos, em 1980, tem se destacado como uma das vozes mais proeminentes no discurso antirracista e antissexista da atualidade. Em 2018, Djamila – que já havia lançado o livro “O que é lugar de fala?”, na coleção Feminismos Plurais da editora Letramento, em 2017 – lançou o livro “Quem tem medo do feminismo negro?” pela Companhia das Letras. O livro é uma reunião de artigos de autoria de Djamila, selecionados da revista Carta Capital entre 2014 e 2017, além de trazer um ensaio autobiográfico, inédito, da autora.

Escrever uma resenha do mais novo livro de Djamila Ribeiro, não é uma tarefa fácil, visto que cada um dos artigos presentes no livro, são potenciais catalizadores para amplas resenhas, cada um. Por isso eu optei por indicar aqui três – dos muitos – motivos pelos quais “Quem tem medo do feminismo negro?” deve ser lido por todos.

01. O livro estimula o discurso antirracista.
Sim, é necessário discutirmos racismo, visto que vivemos todos em um país em que o racismo está presente nas diversas esferas que compõe a sociedade. Djamila Ribeiro reflete a respeito de vários casos de destaque, de racismo e sexismo ocorridos no Brasil e no mundo, nos últimos anos. Entre os casos citados em seus artigos, a filósofa discorre sobre Tyrus Byrd, primeira mulher negra a ser eleita para o cargo de prefeita da cidade de Parma, em Missoure EUA, que provocou uma demissão em massa com sua eleição. As meninas negras da comunidade quilombola Kalunga, em Cavalcante (GO), vítimas de trabalho infantil e exploração sexual. O racismo sofrido pelo goleiro Aranha, em 2014, num jogo do Santos contra o Grêmio. Entre outros casos, Djamila discorre a respeito de vários temas importantes para a causa feminista e negra, como a legalização do aborto e as cotas raciais em universidades.

02. O livro é didático.
Se você não tem a menor ideia de por onde começar a entender as principais causas defendidas pelo movimento feminista e negro, o livro de Djamila apresenta-se como uma excelente porta de entrada para entender estas questões. Temas como cotas raciais, racismo reverso e lugar de fala, são explicados de forma simples e clara para todos através dos artigos que compõe o livro. A autora explica como o feminismo negro não pretende fragmentar o movimento feminista, e sim desconstruir a ideia de homogeneidade com a qual o feminismo é visto. Ela explica que é necessário entender que cada mulher é diferente uma da outra, e que as diferenças precisam ser entendidas para que a luta do feminismo abranja todas as mulheres, brancas e negras.

03. É o livro de uma mulher, filósofa, brasileira e negra.
Quantas você conhece, publicadas por um dos maiores grupos editoriais do Brasil? Exatamente!

Só o fato de termos uma escritora negra sendo publicada no Brasil, já deve ser motivo suficiente para que você adquira um exemplar. As mulheres são minoria, se compararmos o número de livros publicados no país a cada mês. Mulheres negras estão ainda mais abaixo nesta contagem. Só para citar um exemplo, temos bell hooks (escrito em minúsculas mesmo), pseudônimo de Gloria Jean Watkins, autora estadunidense, com diversas publicações de extrema relevância na luta feminista e negra que, exceto por duas publicações (sendo uma esgotada), praticamente é inexistente nas livrarias brasileiras.

Por isso, autoras como Djamila Ribeiro, Angela Davis, Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves, entre outras, precisam ser lidas e discutidas, para que mais portas se abram para outras mulheres negras serem publicadas, tornando assim o mercado editorial mais abrangente.

(bônus) #EleNão
Próximos de uma eleição presidencial no Brasil, temos a real possibilidade de ter um indivíduo machista, misógino e homofóbico assumindo a presidência do nosso país. E é para evitar que tenhamos um chefe de estado que representa um sério risco à democracia – já falha – brasileira, que precisamos ter um posicionamento político firme e de resistência. E o caminho para termos base nestes debates, é através de estudo e pesquisa. Por isso livros como o da Djamila Ribeiro, servem como arma potente para gerar um pensamento crítico que tenha fundamentos fortes. “Quem tem medo do feminismo negro?” é um livro muito necessário atualmente, leiam, presenteiem, compartilhem com outras pessoas, para que a voz dos oprimidos pelo sistema faça-se ecoar. O livro da Djamilia nos ajuda a compreendermos que #EleNão.


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Quem Tem Medo do Feminismo Negro?
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia Das Letras
Ano: 2018
Skoob: 4.5 Estrelas
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05 Estrelas
Quem tem medo do feminismo negro? reúne um longo ensaio autobiográfico inédito e uma seleção de artigos publicados por Djamila Ribeiro no blog da revista CartaCapital, entre 2014 e 2017. No texto de abertura, a filósofa e militante recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama de “silenciamento”, processo de apagamento da personalidade por que passou e que é um dos muitos resultados perniciosos da discriminação. Foi apenas no final da adolescência, ao trabalhar na Casa de Cultura da Mulher Negra, que Djamila entrou em contato com autoras que a fizeram ter orgulho de suas raízes e não mais querer se manter invisível. Desde então, o diálogo com autoras como Chimamanda Ngozi Adichie, bell hooks, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison e Conceição Evaristo é uma constante.
Autora: Djamila Ribeiro é pesquisadora na área de Filosofia Política e feminista. Graduou-se em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo, em 2012, e mestre em Filosofia Política na mesma instituição, em 2015. Suas reflexões abordam os seguintes temas: relações raciais e de gênero e feminismo. Atualmente é colunista online da Carta Capital, Blogueiras Negras e Revista AzMina e também possui forte presença no ambiente digital.

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