Resenha: O Reino de Zália - Luly Trigo

Uma história jovem, que traz o encanto do mundo das princesas, com a vontade de se discutir política de um jeito sincero e forte

setembro 17, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Uma história jovem, que traz o encanto do mundo das princesas, com a vontade de se discutir política de um jeito sincero e forte




Histórias de princesas sempre encarantaram e estiveram ligadas aos valores em que foram construídas. É fácil ver isso, ao ter uma Branca de Neve, ou Cinderela ligada aos valores de 1930. Errado, ou não, esse é um fato. Assim como, chegamos no anos de 2010 com uma Elsa ou Moana, ligadas às discussões de empoderamento feminino. Princesas sempre encantaram, e divertem gerações.

E como seria uma princesa ligada ao Brasil dos dias de hoje? Com certeza seria uma princesa engajada e pronta para subverter um sistema, não? Luly Trigo mostra isso e muito mais em seu "Reino de Zália", uma história pronta para levar jovens a tudo que acontece no Brasil, com toques da realeza.

“Garantia dos direitos humanos, condições minimas para todos, uma saúde pública mais eficaz, escolas públicas de qualidade, asilos e presídios melhores. Você sabe o que estão pedindo nos protestos. É exatamente o que a resistência quer” (Posição. 978)


Na história conhecemos Zália, uma princesa, que com apenas 17 anos tem uma grande missão em sua vida. Assumir a regência de Galdino. Um conjunto de 64 ilhas, divididas em 18 estados e com uma população de 80 milhões de pessoas. Toda essa loucura começa em sua vida, pois o seu pai, rei de Galdino, não tinha condições de ficar mais no trono, e seu irmão sofre um atentado e morre nas primeiras páginas da história. A sua vida longe da realeza acabara, assim como o seu sonho de ser fotografa.

No inicio, seu pai a informou que ela seria uma "Regente Poste", somente assinaria a papelada e participaria dos eventos, e ele continuaria a mandar no reino. Porém, sua mãe botava pilha, para que ela colocasse as rédeas sobre as suas decisões. Analisasse tudo com muito cuidado, pois todas as suas ações afetaria um povo que clamava por mudanças. E eram necessária muitas delas.

Zália então contou com a ajuda de seus três amigos. Gil, Julia e Bianca. Três jovens que estudaram com ela no internato e tinham visões muito avançadas, apesar de nem sempre saberem o que fazer. Além deles, Mariah, sua professora particular começou a ajuda-la em algumas decisões, e especialmente, em formas de conhecer o mundo além das paredes do castelo da realeza.

Como toda boa história de princesa, além das decisões politicas das quais tinha que cuidar, Zália tinha mais uma missão. Direcionar o seu coração para o lugar certo. Isso porque em sua vida, estavam dois jovens preparados a faze-lo bater mais forte. Enzo, o seu guarda real, o qual ela já teve uma troca de carícias no passado, mas que ele a deixou de coração partido. E também Antônio, o seu professor e assessor politico, que era a pessoa mais legal do mundo. Mas é aquela história, sempre desconfie de pessoas muito legais (heheheheh).

MUITO MAIS QUE UM REINO DE FANTASIA

Galdino está muito longe de ser aqueles reinos de fantasia cheio de coisas boas e felizes. Claro, isso existe, as instalações reais são luxuosas, e o reino é cheio de pompas e suntuosidade. É um sonho circular nesse lado da história. Mas há que preço? Conforme a história avança, conhecemos um pouco mais dos problemas da população, que tem dificuldades na educação, saúde, habitação. São muitos problemas, que eram simplesmente jogados para debaixo do tapete.

A questão é que estava complicado manter tudo debaixo do tapete, a resistência incitava a população a realizar protestos e greves em prol de direitos que eles não tinham, enquanto aqueles que viviam perto do reinado só tinha regalias.

Isso é assustadoramente real em nosso país, só que no lugar de um reino, temos um congresso nacional recheado de regalias. E pior, decidindo pelas pessoas que padecem todos os dias nas filas de hospitais, escolas, e assistências que deveriam ser prioridade do Estado. E com certeza essa foi uma inspiração mais que acertada da Luly. Mostrar os problemas que já vivemos todos os dias, em uma história de fantasia. Onde poucos ganham muito, e se beneficiam da corrupção. Políticos, empresários, e pessoas das castas mais altas da sociedade, todo o dia se dão bem em Galdino, e também aqui, em nosso país. E nesse processo, a juventude é responsável por essas mudanças. Pessoas como Zália, Gil, Julia, Bianca. Assim como os leitores desse livro da Luly. Todos devemos tomar as rédeas dessas mudanças, mesmo que sejam assustadoras.

Engraçado, que ao iniciar a história, achei que ela tomaria o rumo da maioria das histórias de princesas, e que já vimos outras vezes, como "O Diário da Princesa". Porém, conforme avançava pelas páginas, essa aproximação foi se distanciando, comecei a ver temas como aposentadoria, extremismos em grupos sociais, intolerância social, truculência da policia, a luta pelos seus direitos, serviços públicos de qualidade, entre outras questões. Percebi então que estava diante de uma história cheia de personalidade própria, de uma alma brasileira que precisava falar de seus anseios, por meio de uma história de princesas. E como é bonito de ser ver isso em histórias voltadas para o público juvenil. Estamos numa boa leva de autores nacionais, que estão subvertendo a nossa literatura, e devemos apoia-los cada vez mais. Isso não é uma dica de quem acha que temos que ler livros nacionais, somente porque são brasileiros, e sim porque eles são realmente bons, e merecem uma chance para continuar crescendo.

Alias, já vejo Maísa Silva protagonizando essa história. Duas personalidades muito fortes que combinam entre si, sobre temas que com certeza elas tem proximidade.

UMA HISTÓRIA CHEIA DE MULHERES FORTES

E se vocês acham que a fortaleza dessa história centra-se somente Zália, estão enganados. A história é cheia de boas e inspiradoras mulheres. A professora de história de Zália, Mariah, cheia de conhecimento e mostrando o quão é importante as ciências humanas para a nossa evolução. A mãe de Zália que esteve sempre ao seu lado, quando seu pai tentava manipula-la (vocês vão ter uma surpresa dela no futuro). As amigas Júlia e Bianca, que apesar de pensarem diferente, agregavam muito para as decisões da jovem regente. E porque não a delegada Lara, uma mulher capaz de arriscar a sua vida para manter a justiça a frente de tudo.

TEORIA DOS DOIS GATINHOS À VISTA

Porque os dois gatinhos não deveriam estar na história? Zália é jovem, com hormônios a flor da pele, e sujeita a se apaixonar sim. Apesar de eu ter shippado errado (égua, meu faro tá muito ruim), os dois estavam lá na vida de Zália, ao lado dela o tempo todo. Talvez, com objetivos diferentes, mas faziam-nos suspirar, enquanto líamos cada trecho desse encontro deles. Apesar, de que eles também mereciam uns tapas da vida para acordarem e pararem de fazer a garota sofrer. Poxa, ela tinha as contas de um governo para auditar e eles ficavam ali ao redor sem saber se iam ou se olhavam (Aí que nervoso, hehehehe).

O Reino de Zália é aquele tipo de livro que chegamos ao fim, sofremos, suspiramos, sorrimos, choramos, mas acima de tudo, aprendemos um pouco mais sobre a nossa realidade, por meio de uma intensa e bonita história de fantasia. E o que vamos fazer com isso? Espero sinceramente que a nossa escolha seja #elenão. Fora isso, vamos seguir com as nossas vidas, assim como a Zália, respeitando as nossas diferenças politicas para que possamos fazer um mundo muito melhor, para aqueles que nele vivem. E Viva a Zália !!!!!


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O Reino de Zália
Autora: Luly Trigo
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 4,3 Estrelas / Goodreads: 5,0 Estrelas
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04 Estrelas
No primeiro livro de fantasia de Luly Trigo, uma princesa se vê obrigada a assumir o governo do país em meio a revoltas populares, intrigas políticas, conflitos familiares e romances arrebatadores.
Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia.
Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país. Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance.
Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar - e que tipo de rainha quer se tornar.
Autora: Luiza Trigo, ou Luly, como prefere ser chamada, nasceu no Rio de Janeiro, onde se formou em Cinema, e fez uma especialização em Roteiro pela New York Film Academy (NYFA). Trabalhou em uma produtora de Nova York como assistente de produção e câmera e, de volta ao Rio, participou de produções audiovisuals, além de atuar como assistente de direção na direção na gravação de DVDs de diversos músicos profissionais. Em 2008, produziu seu primeiro curta-metragem, Delito, que ganhou o prêmio de Melhor Curta do Festival Cinesul. É autora de Meu Jeito Certo de Fazer Tudo Errado, Uma Canção Pra Você, Na Porta Ao Lado, As Valentinas, A Caixinha Mágica e Meus 15 Anos, que teve os direitos vendidos para o cinema e, com roteiro da própria autora, estrela nas telonas em 2017.

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