Resenha: Tempestade de Guerra - Victoria Aveyard

Um final intenso de uma das mais bem sucedidas séries de fantasia YA da atualidade

agosto 12, 2018 - Postado Por: Francisco Neto
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Um final intenso de uma das mais bem sucedidas séries de fantasia YA da atualidade




4 anos. O tempo de cursar uma universidade. É um tempo considerável de um namoro. É algo que fica entre o médio e longo prazo. Esse foi o período de publicação do primeiro ao último livro da série Rainha Vermelha. E todo esse tempo, o livro esteve na lista dos mais vendidos. Apesar de não ter um número consolidado divulgado oficialmente. No site do Publish News, pelo menos 200 mil foram contabilizados, nos último 4 anos. Mas porque será que essa série deu tão certo? vendeu tantos exemplares? Eu alio algumas coisas nessa questão: Construção de Mundo, Escrita Fluída, Fantasia que conseguiu atingir o seu público-alvo, O famigerado triangulo amoroso.

Tudo começa com Rainha Vermelha, primeira etapa da série. Mare Barrow é uma jovem ladra perdida em um mundo dominado por prateados. Pessoas com habilidades especiais que subjugam aqueles que não são. Seria uma metáfora sobre o preconceito entre brancos e negros? Também. No primeiro livro a jovem descobre que possui poderes, mesmo tento sangue vermelho. Com toda essa descoberta ela vai parar no castelo dos mandatários de Norta. Entre intrigas e traições, Mare recebe o seu primeiro aprendizado. Não pode confiar em ninguém. Porque todo mundo trai todo mundo.

Resenha do primeiro do livro.

No segundo livro, a autora oferece outros dados para os leitores. Que existem muitos sanguenovos (vermelhos com poderes) e que o novo rei irá caça-los até o fim. Além disso, Mare está na Guarda Escarlate, a resistência dessa sociedade . Porém, a Guarda não é aquela resistência boazinha que esperamos. Existe muito mais nela que torna essa guerra muito mais sangrenta, e as alianças começam a se formar por uma guerra que vem aí. No fim, boas e más pessoas morrem. E Mare é obrigada a se entregar para o monstruoso rei.

Resenha do segundo livro.

Já o terceiro livro é o mais parado da história, porém o mais importante para entender muitas questões. Ele é dividido em dois arcos. O primeiro deles é Mare prisioneira do rei louco e obssessivo. Um rei que há muito tempo já havia perdido a sua alma para aquela que o transformou em uma marionete. E por mais que ela estivesse morta, ela continuava em sua mente e ele não tinha mais conserto.

Após um ataque que conseguiu libertar Mare, inicia-se o novo arco, onde começam-se a aliança para a guerra final. De um lado, o Reino de Rift, dominado pelos pais de Evangeline, A Guarda Escarlate, a República de Monfort, único país democrático do continente, Piedmont, que na verdade estavam sendo forçados nessa aliança e aqueles que decidiram seguir Calore Tiberias. Do outro lado estavam aqueles que decidiram seguir o rei louco, e Lakeland, dominados pela família de ninfoides (que tem poderes relacionados a água) que estavam em busca de vingança e consequentemente a possibilidade de dominar o continente. Porém, todas essas alianças são muito frágeis, especialmente se cada um deseja uma coisa diferente.

Resenha do terceiro livro.



Chegamos assim, a Tempestade de Guerra, último livro da série Rainha Vermelha, e com certeza o mais cheio de reviravoltas. A história inicia-se logo após os acontecimentos de Prisão do Rei e a fatídica traição de Calore Tiberias, que agora lutaria para assumir o trono novamente. Algo que a Guarda Escarlate e a republica de Monfort rejeitam de todas as maneiras. Afinal, porque eles iriam travar uma guerra para manter a subjugação dos vermelhos novamente?

A aliança então enfraquecida precisava do reforço de Monfort, mas para isso, eles teriam que ir até república. Daividson, o primeiro-ministro fez isso de propósito. Calore, sua vó, Julian, Evangeline e Mare vão até ao país, pedir uma tropa para a assembleia constituinte deles. Mas o que eles descobrem é um país embebido de paz, prosperidade e respeito entre vermelhos e prateados. Sem contar a possibilidade de pessoas do mesmo sexo se casarem. Algo invejoso, para alguns que estavam nessa comitiva. Monfort provou que a democracia é a melhor formar de organizar um povo. Algo que os prateados tiveram que tentar engolir a todo o custo.

Interessante que o apoio da república de Monfort a Guarda Escarlate me fez lembrar de alguma forma a Guerra da Síria e o apoio dos Estados Unidos a um dos grupos de rebeldes. Depois disso, comecei a visualizar os apoios e reforços da guerra entre os vermelhos e prateados, e as semelhanças entre a Guerra da Síria foram enormes. Fiquei pensando o quanto essa guerra que ocorre há pelo menos 6 anos em nosso mundo, inspirou Victoria Aveyard e a sua ficção.

Enquanto isso, Maven e sua esposa de Lakeland tramavam uma forma de trazer o reino de Piedemont para o seu lado. E conseguiram mais um aliado. Porém, esse aliado era de Maven ou de Iris Cygnet?



Conforme a guerra ia se aproximando as alianças iam se reagrupando, sem contar as estratégias para conseguir exércitos para esse momento eram escabrosas e sempre envolviam vidas de muitos desses coordenadores da guerra. E assim chegou a hora da primeira batalha. Victoria Aveyard conseguiu desenrolar um embate muito bem descrito, que quase não sentíamos passar. Foram quase 50 páginas de uma batalha onde os poderes eram utilizados na sua magnetude e construção dele em nossa mente eram maravilhosos, amei cada palavra escrita nesse momento.

Continuando a história, percebemos o quanto as conexões e alianças eram fracas e poderiam se quebrar, e uma guerra maior estava prestes a acontecer. E como fazer com que esse status mude? Como preparar todos para o Grand Finale? Esse foi o trabalho da autora nas últimas 300 páginas, com reviravoltas, falta de fôlego e em alguns momentos um pouco de decepção. Sim, isso porque a autora construiu uma grande expectativa para esse momento final, e acho que com pena, ela economizou bastante no final dessa guerra. Fez algo bem semelhante ao que Pierce Brown fez ao terminar Estrela da Manhã, ou Mary E. Pearson ao finalizar The Beauty of Darkness. Vontade de perguntar pra esses autores, qual o problema de fazer batalhas sangrentas? E aqui vai um recado para eles: Não tenham pena, nós leitores íamos chorar até a alma, mas ninguém ia morrer por uma batalha vencida na raça (huehueheuhe)

ASPECTOS DA REALIDADE: Ao ler Tempestade de Guerra, é possível perceber o esforço da autora em conectar a sua história fantástica com a vida real. Temas como homoafetifidade, religião, refugiados, estratégias de guerra, reflexões revolucionárias, são suplantados a todo o tempo. É difícil passar por essa história, sem notar a conexão dela com os dias de hoje, da possibilidade de passar a ideia de igualdade para as outras pessoas, mas não igualdade no sentido de uniformidade, mas sim de que temos que ter os mesmos direitos para viver as nossas individualidades. Vejo esse discurso a todo o tempo no Twitter da autora, seria estranho se não visse isso em sua história. Esse é um dos grandes acertos da Série Rainha Vermelha.



SORORIDADE e EMPODERAMENTO FEMININO: Interessante que isso foi tão bem construído a ponto de que a questão vai se engajando com muita naturalidade na obra, tanto que ao ler Tempestade de Guerra é difícil não ver uma mulher que não tenha uma força extraordinária nessa história. Mare, a protagonista que acompanhamos desde o inicio tem um crescimento tão significativo, que nesse último livro ela é muito menos insuportável que em relação ao primeiro. Sem contar Evangeline, que acabou se tornando uma das melhores personagens da série, que ao final buscou a sua própria felicidade. A avó dos Tiberias se mostrou uma grande estrategista. Farley é uma personagem muito intensa e sua falta de poderes especiais não a deixa menos forte. A Iris Cygnet e a sua mãe são personagens fortíssimas, sem contar que são grande estrategistas também. A própria rainha Elara era uma grande antagonista. O detalhe nesse processo é que ao longo da série, mesmo as personagens estando em lados opostos, elas demonstravam muito respeito entre si. A gente consegue ver isso seus pensamentos durante a história. Com certeza, um outro grande acerto da autora.

MARE, CAL E MAVEN: O triângulo amoroso é muito comum sobre histórias de Fantasia YA, e aqui não seria diferente. Porém, nessa história tem que se ter muito cuidado a discutir essa relação. Primeiro, por que um dos casos, é visível a obsessão dele sobre Mare, algo abusivo e que nunca deveria ser visto como "ship", independente do que o transformou desse jeito. Na Prisão do Rei, isso fica bem claro (pelo menos espero que sim), e fantasiar esse relacionamento é preocupante. A outra circunstância é menos problemática, e tem haver mais com escolha da personagem de se manter ao lado de alguém diferente de seus ideais ou não.

A outra questão, eu vi como uma subversão de triângulo amoroso em histórias YA. O quanto os personagens afetaram na personalidade de Mare. Tanto Maven, quanto Cal. Algo que foi levado até o final da história. A jovem sofreu muito nesse processo, sua personalidade se transformou muito ao vivenciar essa experiência, e acho que a autora fez uma boa escolha para o destino final dos três personagens.

Nesse caso, confesso que fiquei decepcionado com alguns leitores. Diferente, não? Mas sim, esse sentimento se constituiu, porque ao ler algumas resenhas, percebi que a decepção de PARTE dos leitores sobre a obra teve haver com a escolha do destino desses personagens, como se a série Rainha Vermelha se resumisse a isso. Claro, todas as pessoas tem direito a aproveitar a experiência literária a sua maneira. Porém, assim como a gente ver que muitos autores acabam desperdiçando oportunidades de abordar muitos temas em suas obras, do outro lado, é possível a gente ver os leitores fazendo o mesmo. Desperdiçando a oportunidade de algumas reflexões importantes para compreender o mundo em que vivemos. Decidi pontuar isso, como uma reflexão a nós leitores sobre essa questão. Até quando, vamos colocar os relacionamentos amorosos como algo em primeiro plano, em histórias de fantasias YA? Não é chegado a hora de embarcar junto com o autor em outras temáticas que ele quer nos mostrar?

Sobre a reflexão que tive lá no inicio de Rainha Vermelha, de que haviam muitas ressalvas sobre as muitas referências que pareciam colagens de outras histórias, acho que a autora conseguiu se afastar desse estigma que estava muito presente no primeiro livro, e construiu a sua própria obra, o seu próprio mundo. E isso a tornou uma das autoras mais bem sucedidas. Tanto é que milhares de fãs estavam presentes no bate papo que ocorreu no último sábado (11/08/2018) na Bienal do livro de SP, sendo a autora internacional com mais público nessa edição do evento. Mostrando que o seu trabalho teve mais erros do que acertos.

Ao chegar ao final da série Rainha Vermelha é perceptível e muito bacana ver uma história que começou com uma jovem perdida no mundo sem saber o que fazer com os seus poderes e terminou depois de uma jornada intensa de uma guerra em que os personagens aprenderam muito a viver em um mundo, onde o preconceito se dá pela cor do sangue, mas que mesmo assim a igualdade de direitos é possível. Não sem uma revolução, não sem luta, não sem entender que para mudar é necessário acabar com os privilégios daqueles que o possuem, para que todos possamos viver bem e em harmonia numa sociedade em que a diferença só nos ajuda a crescer e não nos separar.


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Tempestade de Guerra (Warm Storn)
Rainha Vermelha Vol 4 (Red Queen #04)
Autora: Victoria Aveyard
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 4,1 Estrelas / Goodreads: 3.9 Estrelas
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04 Estrelas
No aguardado desfecho da série A Rainha Vermelha, descubra qual poder sairá vencedor depois que a tempestade de guerra passar. A autora do livro, Victoria Aveyard, virá ao Brasil para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2018.
Mare Barrow aprendeu rápido que, para vencer, é preciso pagar um preço muito alto. Depois da traição de Cal, ela se esforça para proteger seu coração e continuar a lutar junto aos rebeldes pela liberdade de todos os vermelhos e sanguenovos de Norta. A jovem fará de tudo para derrubar o governo de uma vez por todas — começando pela coroa de Maven. Mas nenhuma guerra pode ser vencida sem ajuda, e logo Mare se vê obrigada a se unir ao garoto que partiu seu coração para derrotar aquele que quase a destruiu. Cal tem aliados prateados poderosos que, somados à Guarda Escarlate, se tornam uma força imbatível. Por outro lado, Maven é guiado por uma obsessão profunda e fará qualquer coisa para ter Mare de volta, nem que tenha que passar por cima de tudo — e todos — no caminho.
Autora: Victoria Aveyard cresceu em Massachusetts e frequentou a Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles. Formou-se como roteirista e tenta combinar seu amor por história, explosões e heroínas fortes na sua escrita. Seus hobbies incluem a tarefa impossível de prever o que vai acontecer em As Crônicas de Gelo e Fogo, viajar e assistir a Netflix.

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