Resenha: A Marcha - John Lewis, Andrew Aydin, ‎ Nate Powell

Por meio de uma HQ, conhecemos a força da segregação racial nos Estados Unidos, assim como a luta para muda-la

julho 13, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Por meio de uma HQ, conhecemos a força da segregação racial nos Estados Unidos, assim como a luta para muda-la




O período de segregação racial nos Estados Unidos foi um momento manchado na história da humanidade com muita violência, preconceito e acima de tudo, falta de amor. Hoje é difícil fazermos uma análise retrógrada e acreditar, por um breve momento, que as coisas não foram como são hoje. Direitos que achamos tão banais hoje em dia, antigamente eram tratados como crimes e injurias vitais. Se hoje você se orgulha por ter um senso de respeito, saiba que isso é fruto de muita luta, derrotas e vitorias. Talvez não por você ou por seus pais, mas sim por outras pessoas que assim como eu e você, só queriam ter um direito básico: viver.

Em pleno século XXI, ainda se perpetua um pensamento besta de que quadrinhos são feitos para crianças. De um lado estão pessoas que não entendem do assunto e costumam dizer esse tipo de asneira, e do outro, os que fazem parte do ramo se sentem ofendidos e aí se inicia um embate feroz. A Marcha é uma prova concreta que a ignorância é o cerne desse primeiro grupo.



Além de um dos quadrinhos mais incríveis que já li, A marcha é uma obra de arte que deveria ser apreciada por toda e qualquer pessoa, independente do seu gosto musical, artístico ou pessoal; a leitura e contemplação dessa obra lhe engrandece como ser humano.

Com artes impecáveis de Nate Powell – de quem surgiu a ideia de dividir a história em três partes –, o primeiro volume d’A marcha, se inicia por uma ótica diferente os acontecimentos daquele 7 de março de 1965, onde um grupo de policiais atacou com extrema violência um grupo de 600 manifestantes em movimentos pelos direitos civis, momento que ficou conhecido – e homenageado pela banda U2 – como Domingo Sangrento.

“I can’t believe the news today, i can’t close my eyes and make it go away – Eu não posso acreditar nas notícias de hoje, eu não posso fechar meus olhos e fazê-las desaparecer” Sunday bloody Sunday.

Movimento que foi encabeçado e liderado por grandes nomes do combate ao racismo nos EUA nos anos 60, dentre eles podemos destacar alguns como Martin Luther King, esse sendo o líder de toda uma mentalidade ativista e pacifista em prol dos direitos civis; e John Lewis, um dos maiores ativistas do movimento de não-agressão. Lewis hoje em dia é um parlamentar extremamente respeitado nos estados unidos, e em conjunto com seu assessor Andrew Aydin, deram vida a trilogia A marcha.



Desde que Rosa Parks foi presa por se negar a dar seu lugar num ônibus para uma mulher branca, os líderes negros começaram a boicotar os ônibus em Montgomery, e munidos desse pensamento pacifista e de ideias de desobediência civil praticadas por Gandhi, se iniciou com muito ímpeto o movimento que mudaria o mundo. O quadrinho A Marcha traz justamente para o leitor os acontecimentos póstumos a esse, contando a história pelo prisma do filho de fazendeiro John Lewis, que tem a sua vida mudada desde que ficou cara a cara com King.

Um dos pontos mais altos da história é o momento onde Lewis entra de vez na Conferência da Liderança Cristã do Sul (CLCS) e é apresentado pela primeira vez ao Comitê Não Violento de Coordenação Estudantil (CNVCE) onde precisava engolir seus medos e perdoar seus agressores mesmo sendo espancado, xingado e humilhado em público. Foi o que aconteceu no primeiro movimento ativista de não agressão, onde os funcionários de um restaurante se negaram a atender alguns clientes por serem negros.



Desde então, os movimentos começaram a ganhar força e aumentar em proporções jamais esperadas, até que em um movimento, a polícia foi acionada e tiveram que prender todos os manifestantes sem alegação alguma. Acontecimento que provocou um debate por forças políticas, dando voz ao grupo que combatia a segregação surgindo um farol em meio a todo o abismo de preconceito.

“Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter” – Martin Luther King



O trabalho da editora Nemo nessa edição faz jus ao conteúdo da obra. A tradução de Érico Assis respeitou de todas as formas o que Lewis e Aydin tentaram transmitir com o texto, e por mais simples que seja a impressão, nenhum detalhe foi perdido nesse volume. A Marcha foi o primeiro quadrinho a receber o National Book Award um dos mais consagrados prêmios literários dos Estados Unidos. Os dois outros volumes que compõem a trilogia estão com previsão de chegada ao Brasil para o segundo semestre de 2019.

Um quadrinho que recomendo para todas as pessoas de todas as idades. Elas precisam – com urgência – saber das lutas que foram travadas para chegarmos aqui, pois a humanidade que não conhece a sua história, está fadada a repeti-la.



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A Marcha
Autores: John Lewis, Andrew Aydin, ‎ Nate Powell
Editora: Editora Nemo (Grupo Autêntica)
Ano: 2018
Skoob: 4.8 Estrelas/ Goodreads: 4,35 Estrelas
Compre Aqui: Amazon
05 Estrelas
O parlamentar John Lewis é um ícone nos Estados Unidos e uma das principais figuras do movimento pelos direitos civis. Seu comprometimento com a justiça e a não violência o levou de uma pequena fazenda no Alabama para os corredores do Congresso norte-americano; de uma sala de aula segregada para a Marcha em Washington; dos ataques da polícia ao recebimento da Medalha Presidencial da Liberdade pelas mãos do primeiro presidente negro dos Estados Unidos.
A Marcha retrata a longa batalha de Lewis pelos direitos humanos e civis, seu encontro com Martin Luther King Jr. e a luta para dar fim às políticas de segregação no país.
Autores:O parlamentar John Lewis foi um dos líderes do Movimento Americano pelos Direitos Civis. Foi presidente do Student Nonviolent Coordinating Committee (Comitê Coordenador Estudantil Não Violento - SNCC) e desempenhou um papel-chave na luta pelo fim da segregação. Mesmo com mais de quarenta prisões, ataques e ferimentos graves, continuou a advogar pela filosofia da não violência.
Andrew Aydin é natural de Atlanta, Estados Unidos, e trabalha como diretor digital e assessor político no escritório do parlamentar John Lewis, em Washington. Depois de descobrir que seu chefe fora inspirado, quando jovem, pelo álbum em quadrinhos Martin Luther King & The montgomery story, de 1950, Aydin concebeu a trilogia A Marcha e colaborou com Lewis para escrevê-la. Hoje, ele continua a escrever quadrinhos e a ensinar sobre a história da nona arte no movimento pelos direitos civis.
Nate Powell é quadrinista best-seller do The New York Times. Nasceu no Arkansas, Estados Unidos, em 1978. Começou sua carreira aos 14 anos com publicações independentes e formou-se na Escola de Artes Visuais em 2000. Seus trabalhos incluem March, You Don’t Say, The Year of the Beasts, The Lost Hero de Rick Riordan, entre outros. Powell é o primeiro cartunista a vencer o National Book Award.

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