Resenha: Ele - Elle Kennedy e Sabrina Bowen

Livro traz a história de dois melhores amigos, que no calor dos momentos, se tornam muito mais do que isso

julho 04, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Livro traz a história de dois melhores amigos, que no calor dos momentos, se tornam muito mais do que isso




Como diria o meme da Peppa Pig, "Isso é muito adulto".

Relacionamentos homoafetivos ainda são vistos com bastante tabu em nossa sociedade, e as vezes com curiosidade. É uma dualidade que provoca sensações, descobertas, decepções, sofre preconceitos. E nesse processo, a literatura pode em qualquer nível, colaborar para construir uma sociedade que normatize esses relacionamentos. Porém, isso deve ser feito com cuidado, para que a linha do entre o fofo e o caricato não se quebre. E em "Ele", essa linha ficou a um ponto de se quebrar, mas as autoras conseguiram fortalece-la para que chegássemos até o fim e dizer, essa é uma boa história de amor e sexo.

Na história conhecemos dois jogadores de Hóquei. Jamie e Wes. Eles tinham 18 anos, quando se conheceram em um acampamento de verão e se tornaram melhores amigos. Porém, certo dia eles fizeram algo que mudaria tudo. E com isso passaram quatro anos sem se falar.

Wes é o tipo "Gay machão", sarado, suado, gostoso, cheio de tatuagens, daqueles que nas festas gostam de ficar sem camisa. Imagine aquele boy que você viu na "The Week" e que teve muita vontade de pegar. Ou ainda aquele Gogo Boy gostoso das festas. É mais ou menos a descrição de Wes. Certo, é uma descrição heteronormativa? Sim, e tá tudo bem, desde que outras histórias não se fixem nesse ideal de beleza. Afinal de contas, o mundo é plural.

Além disso, Wes gosta de curtir umas noitadas. A cada dia escolhe um boy para transar a noite, e algumas vezes é bem babaca. Na verdade, muitas vezes ele é bem babaca, nível hard (explico mais tarde). Provavelmente se eu encontrasse alguém como ele em uma festa, não vou mentir, faria a mesma coisa que ele se propõe a fazer comigo, e beleza, vida que segue para os dois.



Jamie é o "hétero" da história. Até então, ele nunca tinha procurado experimentar outras oportunidades (ou nunca achou que isso fizesse diferença). Ele tinha uma amizade colorida com uma colega da faculdade, o qual é maravilhoso para os dois. Tá, talvez não tão "ok" assim, mas não é nada que fizessem ele se odiarem no final. Até porque os dois se respeitavam bastante sobre a circunstância, e de fato, tudo estava às claras para eles. Bom, ele é bonito, não como descreveram Wes, talvez ele fosse o biotipo falso magro, tipo Chay Suede. E o temperamento mais tranquilo dele a forma como ele trata as pessoas, faz a gente querer "guardar ele num potinho" (hehehehe).

Quando os dois se reencontram, a gente já começa a ficar por dentro dos "babados" do passado e começa a entender que essa relação tem muito a evoluir. Tanto no coração, como por debaixo do edredom. E genteeeeee. Que evolução (hahahaha).



CENAS DE SEXO: Ok, acho que fiquei excitado lendo algumas cenas de sexo? sim. Elas são reais? Não. As cenas construída pelas autoras são bastante calientes e cheia de detalhes sórdidos e bacanas de ler. Sério, nunca imaginei que um boquete que leva umas 50 páginas para se consolidar de fato, se tornasse algo bastante elétrico. E os outros acontecimentos não ficam atrás, foram bem construídos e escritos. Mas são irreais. Eu consigo associar muito bem o que foi escrito pelas autoras como um pornô de muita qualidade. Isso é ruim? Não, necessariamente. Tá mais para uma glamourização do sexo gay. Algo mais próximo do campo da fantasia. Como estou falando de uma obra adulta, eu parto do pressuposto, que isso fica claro para muitas pessoas. Porém, é difícil eu deixar de lado, de que em algum momento isso pode ser prejudicial, especialmente, quando estamos falando de um gênero que começa a se popularizar no mundo todo.

E óbvio. Em alguns momentos eu "rachei de rir", porque a cena ficou tão fora da casinha que era a melhor coisa a se fazer. Ou seja, para mim, até quando as autoras passaram do ponto, surtiu um efeito positivo na história. Mas não posso falar por outras pessoas. Nesse sentido, meu recado, especialmente para o público gay é: "Vocês vão se surpreender, verão cenas que nunca imaginaram que poderiam fazer, e vão morrer de rir por isso".



RELACIONAMENTO E CONFLITOS: Nesse campo, eu acredito que seja o maior acerto das autoras, que ao meu ver, entenderam muito bem o papel de autoras ao escrever sobre relacionamentos homoafetivos masculinos. A relação dos dois amigos que acabou evoluindo, cresceu de maneira orgânica, e relativamente natural. Apesar do Wes ser babaca e quase estragar tudo, várias vezes. Acredito que a construção desse relacionamento foi bem crível, e claro, o "ship" foi forte do inicio ao fim.

Além disso, os conflitos que surgiram ao longo da história foram bem interessantes, as autoras tiveram sensibilidade ao abordar alguns temas. A bissexualidade do Jamie foi construída naturalmente, ele até que se aceitou super de boa, e "ok", existem casos em que isso acontece. Além disso, alguns problemas da não aceitação homoafetiva por parte da sociedade foi bem representada na história. Inclusive o medo de chegar a novos lugares e serem repreendidos e as "várias saídas do armário", o qual os gays precisam enfrentar ao longo da vida. É cansativo, é exaustivo, e ver isso nessa história foi muito interessante, pois mostra que existe apoio de muitas pessoas que não são da comunidade LGBTQ+.

Chegar ao final dessa história, significa uma vitória da comunidade LGBTQ+ que estão sendo representados cada vez mais. Precisam de ajustes? sim, mas os primeiros passos já estão sendo dados para que os relacionamentos "gays" sejam melhor aceitos socialmente. E ok, sigamos com as nossas vidas, na luta por um mundo melhor, cada um cumprindo o seu papel. E nesse ponto, acredito que Elle Kennedy e Sabrina Bowen fizeram o papel delas. Mostraram que o amor de todas as formas é possível.



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Ele (Him)
(#Him Book 1)
Autoras: Elle Kennedy, Sarina Bowen
Editora: Paralela (Companhia das Letras)
Ano: 2018
Skoob: 4,4 Estrelas / Goodreads: 4,34 Estrelas
Compre Aqui: Amazon
03 Estrelas
James Canning nunca descobriu como perdeu seu melhor e mais próximo amigo. Quatro anos atrás, seu tatuado, destemido e impulsivo companheiro desde a infância simplesmente cortou contato. O que aconteceu na última noite daquele acampamento de verão, quando tinham apenas 18 anos, não muda uma verdade simples: Jamie sente saudade de Wes.
O maior arrependimento de Ryan Wesley é ter convencido seu amigo extremamente hétero a participar de uma aposta que testou os limites da amizade deles. Agora, prestes a se enfrentarem nos times de hóquei da faculdade, ele finalmente terá a oportunidade de se desculpar. Mas, só de olhar para o seu antigo crush, Wes percebe que ainda não conseguiu superar sua paixão adolescente.
Jamie esperou bastante tempo pelas respostas sobre o que aconteceu com seu relacionamento com Wes, mas, ao se reencontrarem, surgem ainda mais dúvidas. Uma noite de sexo pode estragar uma amizade? Essa e outras questões sobre si mesmos vão ter que ser respondidas quando Wesley e Jamie se veem como treinadores no mesmo acampamento de hóquei.
“Li este livro em uma sentada só — é tão bom. Se eu tivesse que selecionar duas autoras para colaborarem, não vejo dupla melhor que Bowen e Kennedy.” — Colleen Hoover, autora best-seller do New York Times “A maneira como Sarina Bowen e Elle Kennedy desenvolvem o romance destes dois homens é atemporal e maravilhosamente real.” — Audrey Carlan, autora best-seller do New York Times
CONTEÚDO ADULTO.

Autoras: Elle Kennedy Uma autora de best-sellers do New York Times , USA Today e Wall Street Journal , Elle Kennedy cresceu nos subúrbios de Toronto, Ontário, e é bacharel em inglês pela York University. Desde cedo, ela sabia que queria ser escritora, e ativamente começou a perseguir esse sonho quando era adolescente.

Sarina Bowen é autora de mais de duas dúzias de romances contemporâneos e LGBTQ+. Ela bateu o recorde de mais vendidos do USA Today em fevereiro, com o Brooklynaire. Anteriormente ela era comerciante de derivativos em Wall Street, Sarina é bacharel em economia pela Universidade de Yale.

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