Resenha: Hex - Thomas Olde Heuvelt

Uma leitura que você fará acompanhado... de Katherine. Bem vindo à Black Spring, uma viagem só de ida

junho 05, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Uma leitura que você fará acompanhado... de Katherine. Bem vindo à Black Spring, uma viagem só de ida




O que falar deste livro que eu mal li e já considero pacas? A premissa de HEX, do holandês Thomas Olde Heuvelt, está longe de ser inédita e parece aquela história que se repete em várias narrativas: uma cidade pequena do interior, cercada por uma floresta, em que uma bruxa de 300 anos lançou uma maldição. E aí? Novidade? Não, não é. Então o que torna HEX um dos livros de terror mais comentados neste ano? Eu respondo caro leitor. É a escrita e as combinações que o autor faz.

Em HEX conhecemos o vilarejo de Black Spring, com todas as características de uma cidadezinha do interior, em que todos se conhecem e a vida parece seguir seu rumo de maneira lenta e sem agitações. E como toda cidade pequena, Black Spring possui suas histórias e lendas, a diferença é que neste lugar a lenda é bem real. Katherine van Wyler foi uma mulher praticante de bruxaria, condenada à morte na fogueira há mais de 300 anos. Guiada pelo ódio e sede de vingança, Katherine lançou uma maldição em toda Black Spring. Com os olhos e bocas costurados, a bruxa continua vagando pela cidade.



A maldição em si, eu acredito que seja divertido para o leitor descobrir por conta própria, mas é algo que torna todos os moradores prisioneiros de Black Spring, uma maldição que se estende aos forasteiros que decidem criar raízes na cidade.

A bruxa de Black Spring não é um espírito enraivecido ou um demônio das profundezas do inferno. Ela é de carne e osso, e vaga sem rumo com seu corpo decrépito, pelas ruas, estabelecimentos e casas da cidade. Aí temos umas das coisas que mais me assusta nessa história. A bruxa é capaz de aparecer na casa das pessoas, sem mais nem menos, e ficar lá por vários dias, parada no meio da rotina da família.



Todos em Black Spring sabem da existência da bruxa e todos os seus passos são controlados pela HEX, uma organização que tem como principal e único objetivo vigiar todos os passos de Katherine e evitar a qualquer custo que ela seja conhecida por pessoas de fora. Para isso utilizam um aplicativo chamado HEXapp em que se pode monitorar de maneira colaborativa os passos da bruxa. Essa mistura de terror antigo com uma tecnologia atual é algo que eu considero muito bem construído na história. Inserir uma dessas histórias “clássicas” em um cenário atual e revigorar a tensão e o medo que elas carregam é uma tarefa difícil, que o autor consegue realizar muito bem.

E como em toda história em que tem uma maldição e alguém com quem não se deveria mexer, alguém vai lá e decide fazer ‘caquinhas’. Mas é óbvio que eu não vou contar essa parte para vocês. Hex é um livro em que a própria Black Spring se torna a protagonista da história. E aí, fica impossível não fazermos uma comparação com “It” do Stephen King (sim, teremos eu citando King em mais uma resenha sim), em que a história é sobre Derry, a cidade amaldiçoada com a presença do Pennywise. Em Hex não é diferente, conhecemos vários moradores de Black Spring e percebemos que muitos são mais assustadores que a própria Katherine.



Eu adoro histórias sobre bruxas, embora não seja um tema frequente nos livros de terror, Hex é um belo exemplo de como o tema, nas mãos de um excelente escritor torna-se uma história de arrepiar. Para os leitores que esperam abrir a primeira página e ser afogado numa torrente de sangue e morte, os primeiros 50% do livro podem não agradar. Principalmente por HEX ser um livro focado na história da cidade, na imersão do leitor em seu cotidiano e na personalidade dos personagens apresentados. Muitos leitores podem achar que isso seja monótono. Eu, acredito que se bem executada, essa imersão a qual o autor nos convida é realmente mais assustadora que várias descrições viscerais.

A esta altura, já deve estar claro que eu adorei a leitura de HEX, a edição do Brasil é da Darkside Books, o que significa que a editora tem um cuidado gráfico que encanta qualquer leitor. É muito legal para os amantes da literatura de terror, um gênero que ainda enfrenta muitos preconceitos, ver uma editora tão empenhada em nos apresentar um livro que carrega todo o “carinho gráfico” que deveria. Eu realmente indico essa leitura para todo fã de terror que espera uma história de imersão. Visite Black Spring, mas saiba que ela nunca te abandonará.

A Warner está produzindo uma série de TV baseada no livro, sem muitas informações ainda, mas vamos ficar de olhos ‘descosturados’ para as futuras informações.

E se você é de São Paulo, Porto Alegre, ou Rio de Janeiro. Fica essa dica. Thomas Olde Heuvelt estará nessas três capitais autografando livros para os seus leitores, confira na programação abaixo:





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HEX (HEX)
Autor: Thomas Olde Heuvelt
Editora: Darkside Books
Ano: 2018
Skoob: 4.4 Estrelas / Goodreads: 3,74 Estrelas
Compre Aqui: Amazon
05 Estrelas
Toda Cidade pequena tem seus segredos. Mas nenhuma é como Black Spring, pacato vilarejo cercado por uma densa floresta verde, que esconde uma bruxa condenada à fogueira há mais de 300 anos. Acorrentada, com a boca e os olhos costurados, Katherine van Wyler vaga sem rumo, sussurrando a morte para quem se aproxima. Os habitantes controlam seus passos através do HEXapp, aplicativo que ajuda a manter o segredo distante dos forasteiros. A vigilância constante aumenta o clima de paranoia, enquanto adolescentes testam os limites do perigo, trazendo à tona um mal ainda maior..
Autor: Thomas Olde Hevelt é escritor holandês de cinco romances e muitos contos fantásticos. Já foi publicado em inglês, holandês e chinês , entre outras línguas. Ganhou o Harland Award (de Melhor Fantasia da Holanda) em três ocasiões, e o Hugo Awards em 2014 na categoria Melhor Conto. Olde Heulvelt escreveu seu romance de estreia aos dezesseis anos. Estudou Língua Inglesa e Literatura dos EUA em sua cidade natal, Nijmegen, e na universidade de Ottawa, no Canadá. Desde então, ele se tornou autor best-seller na Holanda e na Bélgica. Considera Roald Dahl e Stephen King os heróis literários de sua infância, que incutiram nele o amor pela ficção macabra. Hex é a estreia de Olde Heulvelt como romancista. A Warner Bros, está atualmente desenvolvendo uma série de TV baseada no livro.

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