Resenha: Aos Dezessete Anos - Ava Dellaria

Um livro que traz temas jovens, onde os dezessete anos é a ligação de gerações de uma mesma família

junho 07, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Um livro que traz temas jovens, onde os dezessete anos é a ligação de gerações de uma mesma família




A fotografia é um recorte de um momento. Essa sua função ninguém pode negá-la. Quando colocamos o nosso dedo no disparador, esse, sem dúvida é um de nossos objetivos. Mas como escolher o momento? Qual impacto queremos gerar? O que queremos que os outros vejam por nossos olhos? Será que a fotografia é um ser estático no tempo ou no espaço? ou ela pode ter uma nova interpretação, a cada novo olhar? São muitas perguntas e poucas respostas para o que de fato a fotografia representa para uma pessoa, ou até mesmo uma sociedade, não é verdade? Na história de Ava Dellaria, uma fotografia, foi o motor propulsor para que Angie corresse atras do seu passado e assim transformasse o seu futuro.

A jovem tem dezessete anos, e uma vida comum para a sua idade. Ela tinha um namorado, estava se preparando para escolher que destino cursar na universidade, e, apesar de muitas dúvidas, ela continuava estudando até delinear o seu futuro. Mas, um dia revirando a gaveta de sua mãe, Angie encontra uma fotografia, da sua matriarca, só que mais jovem. Ao lado de um jovem negro, que ela logo o reconheceu, apesar de nunca ter encontrado com ele antes. Era o seu pai, era impossível de esconder as semelhanças. Mas sua mãe havia contado que ele morrera anos atrás. Será? Angie busca agora conhecer mais sobre o seu passado e vai fundo nessa história.

E assim o livro volta alguns anos, antes da existência de Angie inclusive, quando a sua mãe Marilyn tinha dezessete anos. Ah, adolescência, fase de grandes mudanças em nossas vidas, assim como escolhas. E Marilyn estava seguindo esse caminho, procurando a melhor universidade que encaixava á sua vida. Porém, a mãe da jovem tinha outro destino traçado para ela, queria uma vida de estrelato para a jovem. E foi assim que as duas foram parar em Los Angeles, na casa de um tio rabugento, à procura de um encontro com a carreira de moda, ou atriz. Um sonho que Marilyn nunca desejou, mas que acabou entrando, para não contrariar a mãe.



Nessa mudança, a única coisa que a jovem viu de positivo foi a possibilidade de se inscrever em uma universidade. Porém, o destino lhe mostrou que algo poderia ser ótimo também, e foi assim, quase que por acaso, que a jovem conheceu James, um garoto que mudaria a sua vida.

Mas James, não mudou a vida de Marilyn, simplesmente porque foi "um homem" que entrou em sua história. E sim, porque os dois juntos começaram a amadurecer e traçar seus futuros. Jovens que se amavam, mas tinham consciência de que o seus sonhos são muito maiores do que seus relacionamentos. Se ajudavam mutualmente, nos estudos, na busca pelas universidades, no dia-a-dia. E claro, jovens que se amam, também fazem sexo, isso fazia parte de suas rotinas. Porém, uma rotina que não era aprovada pelo tio de Marilyn. O velho, já havia tido uma desavença com a família do jovem. Não queria ele próximo da vida de sua sobrinha. E isso poderia trazer problemas. E de fato trouxe.

Mais uma vez a história avança para o futuro, estamos de volta a vida de Angie. Uma jovem que agora só tinha um objetivo: conhecer o seu passado. Ou melhor. O passado de sua família. Com isso, ela junto com o seu agora ex-namorado, foram em busca de respostas. Que dará um novo sentido a história de Angie e sua família.



ENTRE O PASSADO E O FUTURO

Dezessete anos é o tipo de história que te insere dois ambientes. Duas jovens. Duas gerações. Ao seguir em uma narrativa que objetiva desvendar o que aconteceu de tão significativo no passado que modificou bruscamente o futuro, a autora brinca de viajar no tempo entre o passado e o futuro. Basicamente 50% para cada momento do livro: Os Dezessete anos de Angie e da Marilyn. Mãe e filha que vivem dois períodos diferentes, mas que tem muitas coisas em comum a muitos jovens da mesma idade: As mudanças e escolhas. Esse é um período fundamental na vida de muitos adolescentes, e a autora busca explorar bem essa fase, mostrando o quanto essas escolhas escrevem o nosso futuro, e que devemos estar preparados para elas.

Durante essa leitura, é difícil não associar a história a uma música da Elis Regina que diz a seguinte frase: "Minha dor é perceber/ Que apesar de termos/Feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos/Ainda somos os mesmos/ E vivemos/Como os nossos pais". E sim, a experiência daqueles que nos criaram é extremamente valorosa, e nunca deve ser desprezada. Apesar, da nossa ilusória mania de dizer "não quero ser igual meu pai/mãe, eles não sabem de nada". Na maioria das vezes sabem, eles tem uma história, assim como a que estamos construindo a cada dia. Então ouvi-los, é um sinônimo de que estamos crescendo e entendendo, para assim ser/fazer diferente, e não girar a roda da vida, e cair na mesma casa deles.

É tão bom ler histórias nesses aspectos voltadas para o público adolescente. Ver um tema desse ressoando na mente de jovens. E o melhor, sem o didatismo escolar, e sim numa ficção que encanta. Ava Dellaria, muito obrigado por essa história.



A LUTA CONTRA O RACISMO CAMINHANDO NO SUBTEXTO, ÁS VEZES SE TORNANDO PROTAGONISTA, MAS ENTENDENDO O SEU PAPEL DE INCOMODAR.

Se você for até a orelha do livro, vai perceber que a autora nitidamente não é negra. Então, pode ficar o questionamento se ela não está "ocupando" o lugar de fala de alguém. Em minha singela opinião, Não.

Ava Dellaria explora o racismo durante a história dela, principalmente em seu subtexto. Em alguns momentos você vai compreendo que existe algum problema ali. Como Angie não consegue se identificar com nada? Porque o tio de Marilyn odeia tanto a outra família? São nuances que vão ocupando a sua mente aos poucos. E quando realmente a história chega em seu climax, você entende como o racismo é um problema estrutural no povo norte-americano. E a autora não fala sobre o assunto, como se fosse a voz que deve ser ouvida. E sim, a sua perspectiva de jovem branca que percebe o problema em uma outra esfera. É algo diferente do "O ódio que Você Semeia" da Angie Thomas, que o racismo é apresentado na sua cara. A obra de Ava Dellaria é mais uma história de apoio do que protagonismo. Algo fundamental nos dias de hoje, para a luta contra esse problema que existe em persistir.

E o que a Fotografia tem haver com isso tudo? Além de ser o mote dessa obra, ela traz a sensibilidade de uma imagem que ao mesmo tempo é estática, mas que ao contextualiza-la, ela leva-nos para uma intensidade de movimentos, capazes de transformar o ser.

Dezessete Anos é uma história jovem, que conversa com várias gerações sobre o que de fato é importante para a nossa vida, e que nossas escolhas é o motor propulsor sobre o que é relevante ou não, para assim chegar ao nosso tão famigerado estado de felicidade.



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Aos Dezessete Anos (In Search Of Us)
Autora: Ava Dellaria
Editora: Companhia das Letras (Seguinte)
Ano: 2018
Skoob: 4.5 Estrelas / Goodreads: 4,01 Estrelas
Compre Aqui: Amazon
05 Estrelas
Quando tinha dezessete anos, Marilyn viveu um amor intenso, mas acabou seguindo seu próprio caminho e criando uma filha sozinha. Angie, por sua vez, é mestiça e sempre quis saber mais sobre a família do pai e sua ascendência negra, mas tudo o que sua mãe contou foi que ele morreu num acidente de carro antes de ela nascer. Quando Angie descobre indícios de que seu pai pode estar vivo, ela viaja para Los Angeles atrás de seu paradeiro, acompanhada de seu ex-namorado, Sam. Em sua busca, Angie vai descobrir mais sobre sua mãe, sobre o que aconteceu com seu pai e, principalmente, sobre si mesma.
Autor: Ava Dellaria é autora de Cartas de Amor aos Mortos, sucesso no Brasil e no mundo. Nascida em Los Angeles. A autora é formada em Literatura Norte Americana com mestrado em poesia. Hoje seu trabalho é voltado para o público jovem.

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