5 Motivos Para Colocar a Duologia de Kimberly Brubaker na sua lista de leituras (A Guerra que Salvou a Minha Vida/ A Guerra que Me Ensinou a Viver)

Livros trazem o sofrimento de uma garota de 10 anos de idade, que sofreu antes e durante a segunda guerra mundial, amadurecendo como poucos conseguiriam

abril 08, 2018 - Postado Por: Redação SOODA
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Livros trazem o sofrimento de uma garota de 10 anos de idade, que sofreu antes e durante a segunda guerra mundial, amadurecendo como poucos conseguiriam






A Segunda Guerra Mundial trouxe pelo menos 60 milhões de mortes em todo o mundo. Ou seja, centenas de milhões de famílias foram diretamente afetadas. Pelo menos 9 milhões de crianças foram vitimas durante esses anos de Guerra. Milhões de histórias que dificilmente chegarão aos nossos ouvidos. Então, cada livro novo que sai sobre assunto já se torna importante para reflexão. São novas histórias que trazem outros pontos de vistas, complementando o entendimento e a história sobre o assunto e trazendo outras reflexões.

A Guerra que Salvou a Minha Vida e a Guerra que Me Ensinou a Viver é dessas histórias que mostram outros aspectos da guerra, e nos trazem muitas reflexões e discussões extremamente importante para os dias de hoje. Na história, Ada é uma jovem que nasceu com um pé torto. Sua mãe a odiava, profundamente porque ela nasceu assim, ela dizia que sua filha era algo do demônio. E por isso ela a fazia de escrava, prisioneira em sua própria casa. A "salvação" de Ada, foi a guerra que se aproximava da Inglaterra. Com isso ela conseguiu fugir para o interior com o seu irmão. Agora ela teria muito a aprender com a vida. Porém, a guerra que no inicio a salvou, trouxe consequências desastrosas para o seu país. Então ela precisou se adaptar mais uma vez para conseguir viver.

Ao ler essa história, é difícil não absorver muitas questões para discussões. E algumas delas, com certeza são o motivo que você deve ter esses livros em sua estante, além de ler, chorar, refletir, chorar mais um pouco, e quando chegar ao fim, essa profusão de sentimentos lhe tornarão uma pessoa diferente, do inicio dessa história. Com isso, elencamos alguns motivos para você ter essa duologia na sua estante. Veja agora:



1 - UMA OUTRA PERSPECTIVA SOBRE A GUERRA

É muito comum ver histórias de ficção sobre a Segunda Guerra Mundial em muitos aspectos. O maior deles, possivelmente é o que acontece nos campos de concentração, ou com crianças judias na Alemanha. O Menino do Pijama Listrado, Os Meninos que Enganavam Nazistas (resenha aqui), e a Menina que Roubava Livros são três grandes exemplos nessa vertente. E cada um deles tem uma importância para a criação de empatia e entender a guerra.

No caso da Guerra que Salvou a Minha Vida e a sua continuação, vamos para o contexto inglês da guerra. Um dos países que mais lutou para que o nazismo não o alcançasse. E foi difícil. Com isso, é possível ver nos dois livros o impacto da guerra sobre esse país. A fuga de milhares de crianças para os interiores; os bombardeios e como as cidades se prepara para eles; a perda de familiares, seja os militares que estavam lutando, ou nos bombardeios; as cenas chocantes dos corpos em vários pontos onde a guerra chegou; como as famílias e vizinhos tiveram que se adaptar ao contexto da guerra; o racionamento de comida e outros mantimentos. Enfim, a autora se preocupou em trazer muitos detalhes valorosos para essas histórias.



2 - DISCUSSÕES SOBRE MATERNIDADE E FAMÍLIA

Se nos dias de hoje a pressão da maternidade ainda pesa sobre as mulheres, imagine no meio do século XX, no contexto da guerra. Algo que foi cuidadosamente trabalhado pela autora. Não é mistério para ninguém que Ada tenha sofrido "o pão que o diabo amassou" nas mãos de sua mãe. Porém, fica bastante claro as motivações e problemas dela em relação a isso e coloca em cheque a discussão sobre a obrigatoriedade sobre a maternidade que a sociedade ainda prega. É uma discussão para que o leitor possa entender até mesmo os dias de hoje.

E o tema não para por aí. Ada e o seu irmão acaba sendo enviados para uma senhora no interior, as quais as "mulheres de família" a excluiriam, por ela não ser mãe, e não ter constituído uma família. No inicio, a própria Susan coloca em perspectiva a sua capacidade de cuidar de duas crianças. Mas com o tempo, ela acaba se aprochegando de tal forma, que seria quase impossível separa-los. Com certeza, isso é um tapa sobre a tão famigerada "família tradicional", mostrando, que esses laços não são criados somente por sangue, mas afeto.



3 - PAUTA SOBRE EMPATIA

Estamos no século XXI. Pelo menos 2 mil anos sobre uma doutrina cristão. Sem contar o judaísmo que tem pelo menos 4 mil anos, assim como o budismo, hinduísmo, e também o islamismo. Um dos pontos mais convergentes entre essas religiões tão diferentes é a empatia pelo próximo, o respeito, o entender o outro. Não importa a sua forma de crença, isso construído. Alias, aqueles que não possui crenças religiosas também trabalham constantemente a questão da empatia em algum aspecto. Mesmo assim, as nossas sociedades ainda sofrem por causa dela.

Seja pela intolerância, ou ignorância, a falta de empatia é uma das principais causas dos conflitos humanos. E a duologia da Kimberly Bribaker prega a empatia. Mostra por exemplo, uma Ada arisca, sem "papas na língua", que tem uma dificuldade enorme de dizer mamãe. Talvez se você começar a história pelo segundo livro, vai ser mais fácil ter raiva do que empatia com a Ada. Isso porque, você não entenderia o contexto pelo que ela passou, a guerra que ela teve que enfrentar em sua casa durante 10 anos. É óbvio, que não dá pra viver justificando as ações dela somente por isso. Porém, quando se tem empatia, você consegue compreender e ver outras formas de abordagem que ajuda os dois nessa relação. E esse exercício, fez com que eu colocasse muitas coisas em perspectiva.



4 - REFUGIADOS E IMIGRAÇÃO TAMBÉM É UM TEMA IMPORTANTE

Migração sempre foi algo complexo e complicado. Na história recente mundial isso tem sido um fato. Com a Guerra da Síria no Oriente Médio. Milhões de pessoas estão imigrando por todo o mundo, inclusive na Europa. Isso tem causado muita tensão, principalmente, devido ao choque de cultura e o preconceito arraigado sobre os muçulmanos (reportagem sobre esse assunto). No Brasil, a discussão está bastante em voga com a chegada dos imigrantes venezuelanos, causada pela crise naquele país. Apesar, do Brasil ter recebido um quantidade bem menor de imigrantes (60 mil), do que a Colômbia (550 mil), o tema é bastante sério, visto a forma como muitos brasileiros estão considerando o assunto.

E nesse contexto, a Duologia da Kimberly Brubabaker discute o tema de forma bem relevante. O primeiro aspecto é a própria chegada da Ada no interior. As famílias que lá residiam, não viam as crianças que estavam por lá com bons olhos. Sempre tinham muitas criticas e o tratamento totalmente diferente. Deixando-as infelizes com a mudança. Porém, em um status de guerra ativado, todo o cuidado é pouco, e ás vezes é necessário diminuir nossos privilégios e apoiar o próximo (a discussão da empatia lá em cima). Com certeza, essa falta de apoio, foi preponderante, para que muitas crianças voltassem antes do tempo, e acabassem sofrendo com o bombardeio em Londres. O que é muito triste.

Outro aspecto relevante nos livros, especificamente no segundo, é a chegada da Ruth, alemã, judia e filha de um professor universitário, a garota é muito esperta no que diz respeito a matemática. Naturalmente, a garota e sua família sofreu muito com o nazismo de Hitler e estava disposta a ajudar no que fosse necessário para acabar com a guerra. Porém, muitos ingleses não a viam com bons olhos, acreditavam que poderia ser espiã e inclusive ela sofreu muitos ataques enquanto morava na mesma casa de Ada. Ao mesmo tempo, que a gente tenta compreender a posição dos ingleses sobre os alemães, também colocamos em perspectiva que acima de tudo, a menina era apenas uma garota e que não merecia nada daquilo (na verdade ninguém merece). Então sim, é uma discussão válida, para enriquecer o debate.



5 - TOLERÂNCIA E LUTA CONTRA O PRECONCEITO EM QUALQUER INSTÂNCIA

Congregando sobre o aspecto anterior, o livro traz também como pauta a tolerância e respeito acima de tudo. E mesmo se passando no meio do século XX, ele apresenta bastante diversidade. Ada era uma analfabeta, que tinha dificuldade com tudo, especialmente com as palavras. Na história também existe uma família de aristocratas ingleses, mais tarde a chegada da Ruth, uma Judia Alemã, e a própria Susan, que apesar de não ser explicito, é provável que ela tenha tido um relacionamento homoafetivo. São várias pessoas, experiências diferentes, que precisavam conviver juntos em prol da guerra, de um país melhor. E com certeza A Guerra que Salvou a Minha Vida e a sua continuação, consegue fazer a sua militância sobre a causa, nem que seja de maneira bem sutil.

EXTRA - A IMPORTÂNCIA DE SE ADAPTAR AO AMBIENTE EM QUE VIVEMOS

Apesar de já terem sido citados cinco pontos acima, acredito que esse deveria ser colocado como algo extra, que é valoroso nessa obra. A Guerra é um momento de grandes mudanças e impactos sócio-culturais. Inclusive, após ela a Europa passou por uma grande transformação social, o qual vemos até os dias de hoje. Ela mostra em um aspecto macro que o homem como um ser pensante, consegue (ou pelo menos) tenta se adaptar as grandes transformações. A convivência com dezenas de pessoas numa casa, o racionamento para que os mantimentos básicos sejam entregues a todos, a possibilidade da perda de muitos entes queridos de uma vez só. São questões que são colocadas no livro, com uma emoção, para que no futuro, a gente não escolha a guerra para nos ensinar a viver, e sim a paz. A paz, porque somos mais empáticos e mais tolerantes. A paz, porque convivemos bem em sociedade, dividimos. A paz, porque não julgamos as mais diversas famílias e necessidades do outro. A paz, porque entendemos que por mais que a Guerra tenha salvado a vida da Ada, mas ela dizimou a de outras milhões de pessoas, que morreram, cresceram sem família, tiveram dificuldade de se adaptar, se tornaram outras pessoas. Por isso, acredito que além da adaptação do ambiente, esse livro noa ajuda a escolher sempre a Paz, ao invés da Guerra.



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