Livro X Filme: Com Amor, Simon - Becky Albertalli

Chegou as telas de cinemas, um filme tão emblemático, que estará no hall de obras que todo o adolescente deve assisti, assim como "Curtindo a Vida Adoidado", ou "Meninas Malvadas"

março 23, 2018 - Postado Por: Francisco Neto
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Chegou as telas de cinemas, um filme tão emblemático, que estará no hall de obras que todo o adolescente deve assisti, assim como "Curtindo a Vida Adoidado", ou "Meninas Malvadas"


Crédito: Studio Fox Films

Adolescência é uma fase de grandes transformações na vida das pessoas. É o momento que os jovens começam a se entender, a vivenciar e colocar em critica suas experiências e também de construir relações afetivas (romances, amizades, inimizades...). É uma fase que tem suas complexidades, mesmo que mais tarde sejam vistas como fúteis. Agora imagine essa fase da vida, sendo construída fora de um padrão social, a exemplo das relações homoafetivas. Com certeza, isso, se torna potencialmente pior. Está fora do padrão é algo difícil, especialmente quando isso não é uma escolha, é o que é!!!

O livro e o filme Com Amor, Simon versa sobre essa fase da vida. É uma obra que chega atrasado para algumas gerações (da minha para trás), mas na hora para as crianças e jovens que estão nascendo e só precisam de um start como esse, para superarem as inseguranças desse momento. (Espero que reprise tanto na sessão da tarde, como A Lagoa Azul, passava na minha época). Essa obra com certeza ajudará muitos jovens a enfrentar a tão famigerada saída do armário, e assim cumprirá a sua função social.

O enredo conta a história de Simon, protagonizado por Nick Robinson (Jurassic World), um garoto de 17 anos, da Classe Média dos Estados Unidos, que tem uma vida aparentemente normal, porém ele esconde um segredo: É gay. Após, um anônimo revelar no blog da escola a sua homoafetividade, Simon começa a trocar mensagens com ele. A questão é que depois de uma dessas conversas, o jovem deixa o seu e-mail aberto e Martin, estrelado por Logan Miller (Como Sobreviver a Um Ataque Zumbi), encontra essas mensagens e se aproveita da situação para chantagear Simon. E assim a história vai se desenrolando. Com bom humor e carisma, Simon enfrentará a saída do armário, na maioria das vezes com o seus amigos e/ou família, porém em alguns momentos ele precisará se entender sozinho, pois afinal de contas, a aceitação social da homoafetividade é importante, mas a auto-aceitação é ainda maior.

Crédito: Studio Fox Films

ESSA NÃO É UMA HISTÓRIA SOBRE HOMOFOBIA

Apesar da homofobia ser algo bastante presente nesse momento da vida. Essa história não tem por objetivo mostrar esse problema na vida de um jovem gay, e sim, as dificuldades na qual ele tem de se assumir perante a sociedade. Simon tem medo de contar para as pessoas que é Gay, não por repreensão dos pais, ou amigos, mas porque ele não se sente seguro em revelar isso a ninguém, ele não quer se tornar o centro das atenções em sua escola, só quer vivenciar a adolescência como qualquer outro jovem. É um sentimento bastante normal na comunidade LGBTQ+. Eu passei por isso, e provavelmente você que está lendo essa resenha e faz parte da comunidade, também já passou

Não é que essa história queira esconder a homofobia que existe mundo. Ela está presente, de maneira sutil. Porém, a ideia do enredo é mostrar aos jovens que estão nessa fase, que os gays possuem essas inseguranças, e que eles podem encontrar alguém para compartilhar, que é possível ser feliz, isso vai passar. Becky Albertalli disse em uma entrevista para a nossa equipe em 2016 que essa história é honesta e positiva, o qual eu concordo totalmente. No livro e também no filme fica claro que às vezes é dado muita importância a esse momento de transição, mas que talvez se a gente parar e pensar um pouco, é possível tornar isso mais fácil. (Vejo muitos jovens ao sair da sessão de cinema, chegando com seus pais e revelando que são gays).

Crédito: Studio Fox Films

ESSA É UMA HISTÓRIA SOBRE AMIZADE

Um dos pontos mais significativos dessa história é a relação de amizade entre Simon, Nick, Abby e Leah. Eles estão sempre presente se ajudando, passam por dificuldades, porém ela se mantem inabalável. É um suporte importante para que eles superem os seus problemas. Sobre o assunto Becky Albertalli revela que "Eu nunca namorei no Ensino Médio, então quando eu tinha a idade de Simon, meus amigos eram TUDO. Eu queria que Simon tivesse esse coeso, mas complicado, grupo de amigos, para apoia-lo e desafia-lo. E eu queria que Simon fosse um personagem que retribuísse essa amizade também." (Entrevista concedida ao Sooda Blog em 2016)

Alias, apesar de Martin ser uma espécie de "antagonista" da história, ele não está sozinho na cascata de erros da juventude. O próprio Simon acaba por fazer muitas coisas erradas para salvar a sua própria pele. E ai que está o ponto. Errar é humano, mesmo que nos seus mais diversos objetivos, então o que define se você é mal ou não, é reconhecer essas falhas e tentar conserta-las, e de certa forma os dois personagens acabam crescendo muito nesse sentido e mostrando a todos nós a importância de ser mais do que um ser humano perfeito, ser apenas alguém que errou, mas mudou a tempo. Isso me faz lembrar de certa forma o filme "Meninas Malvadas" , onde as coisas iam conforme a maré, e que só melhoraram, depois que se combateu esse mar que insiste em nos afogar.



FILME X LIVRO

A vibe do filme é bem menos "cult" que outros no gênero LGBTQ+, como "Me Chame Pelo Seu Nome", ou "Moonlight", porém está longe de ser um pastelão como "A Lista do Não Beijo", ou "GBF". Em vários momentos me senti em uma celebração "Hipster", com humor mediano e alguns momentos onde era possível soltar aquela gargalhada. Se eu pudesse comparar o filme com algum momento da vida real, seria como se eu tivesse nas festas do "Café com Arte" (Belém), ou descendo a ladeira da Augusta (São Paulo). Até a trilha sonora contribui bastante para isso.

Deve-se também dar um destaque para as atuações de todo o elenco que convencem bastante. Robinson na pele do tímido e divertido Simon consegue se conectar fortemente com o personagem, assim como os seus amigos Abby (Alexandra Shipp - X-men Apocalipse) e Nick (Jorge Lendeborg Jr - Homen Aranha, De Volta ao Lar). Os pais de Simon, estrelados pelos experientes Josh Duhamel(Transformers) e Jennifer Garner (De Repente 30) também não desapontam, especialmente nas cenas mais dramáticas do filme, conseguindo arrancar lágrimas de vários expectadores. Outro destaque é para Logan Miller como o alivio cômico do filme e um antagonista mala, mas quase impossível de criar uma antipatia por ele. A única ressalva é a Leah, estrelada por Katherine Langford, que está longe de ser ruim nesse filme, mas a força do seu trabalho em 13 Reasons Why ainda está tão presente em nossas mentes, o que dificulta um pouco o seu destaque nessa história.

Existem bastante diferenças entre o filme e o livro. A primeira delas é como a história se inicia, que na adaptação cinematográfica começa antes mesmo das trocas de e-mails, enquanto no livro já estamos diante da chantagem nas primeiras páginas. Além disso, outras alterações foram realizadas, como a relação e aparecimento de alguns personagens, o modo como a chantagem se desenrola. Porém, todos os dois fazem bastante sentido nos dois suportes, ou seja, você que gostou do livro, não tenha medo, a essência da história e recados foram mantidos com sucesso, graças a direção de Greg Berlanti (Produtor das séries Flash, Riverdale, Arrow), que usou muito de sua experiência como um jovem gay para dirigir esse filme.

Inclusive algumas decisões da direção para a mudança, acabaram sendo bem acertadas, como o mistério de quem é Blue, incluindo a troca de e-mails, confundindo a mente de Simon e respectivamente a nossa mente também. Esses momentos se tornaram os mais relaxantes do filme, devido os pensamentos do jovem. (Alias, Nick Robinson, você precisa urgente de umas aulas de dança, você é muito duro hueehueheue).

Com Amor, Simon, poderia ser a minha, a sua, ou a nossa história de amor, se o mundo fosse menos difícil para a comunidade LGBTQ+. Porém, se ainda existem pessoas que fazem estudos em universidades públicas brasileiras falando mal da formação de famílias homoafetivas (sim, isso é real), imagine o seio da sociedade, o quanto ódio ainda existe sobre a pessoa LGBTQ+. Então filmes como esses são muito necessários, seja para divertir, acolher a comunidade LGBTQ+, ou ainda para criar empatia. Com Amor, Simon tem uma grande importância em 2018 se tornando emblemático, assim como foi no passado, outras histórias, como "Curtindo a Vida Adoidado", "Clube dos Cinco", "As Patricinhas de Beverly Hills" e "Meninas Malvadas".

Com Amor, Simon (Love Simon)
Filme dirigido por: Greg Berlanti
Gênero: Comédia Dramática
Tempo: 1h49 min
Estréia: 05/04 (Pre-estreias a partir de 22/03)
Nacionalidade: EUA


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