LEITURA COLETIVA: LIVRO DAS MIL E UMA NOITES - TRADUÇÃO DE MAMEDE MUSTAFA JAROUCHE (PARTE 2)

Na segunda parte da leitura coletiva, nos aventuramos na história de um gênio que tenta enganar o pescador, só tenta

fevereiro 19, 2018 - Postado Por: Francisco Neto
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Na segunda parte da leitura coletiva, nos aventuramos na história de um gênio que tenta enganar o pescador, só tenta




Dando continuidade à discussão sobre o Livro de Mil e Uma Noites, é possível perceber que já estamos totalmente conectados a obra e os três personagens que deram o mote pro enrendo, tornam-se narradores e espectadores, deixando que as histórias contadas sejam o fio condutor. Nesse aspecto, chegamos a segunda parte dessa leitura, onde a história contada agora centra-se nas dificuldades de um pescador, que se utilizou de muita perspicácia para tentar se livrar de um grande perigo.

Em "O Pescador e o Gênio" Sherazard conta a história de um jovem pescador que estava imerso em má sorte. No dia relatado, o jovem coloca a rede no mar quatro vezes, sempre tendo de volta bugigangas. Na última tentativa, ele conseguira pescar um artefato, que ao destampa-lo, liberta um gênio que está há muito tempo na garrafa. Por ter passado tempo demais, o gênio decidiu que iria matar aquele que o soltasse (infelicidade do Pescador). Agora, o homem do mar teria que se utilizar de muita perspicácia para continuar vivo.

Mais uma história de Sherazarde carregada de simbolismos, e referências a cultura árabe daquele momento, além da falta de confiança e o excesso de traição que há um sobre o outro. O gênio aqui, nada mais representa que o homem em seus vários estados, quando se encontra enclausurado, ou sobre perigo, tentando barganhar pela sua vida. E mais tarde, aceita que o seu estado e suas escolhas são baseadas na raiva. Além disso, mostra que nós seres humanos, devemos ter cuidado com aquilo que é desconhecido, pois algo ruim pode habitar essa esfera.

Depois de uma virada, começam a aparecer sub histórias, ora relatadas pelo Pescador, ora relatadas pelo Gênio, com objetivos claros de convencer e ensinar.

O REI YNUAN, E O MÉDICO DE DUBAN

A primeira história centra-se em um Rei de um dos territórios árabes que estava acometido por lepra (Hanseníase), e somente um jovem médico foi capaz de cura-lo. Depois disso, a inveja começou a subir sobre os conselheiros do rei que começaram a conspirar contra o sábio homem. Uma história sobre inveja, e em quem confiar.

O MERCADOR E O PAPAGAIO

Também contada pelo pescador, a história centra-se num papagaio que após ver a infidelidade de sua dona para com o seu marido, resolve dizer para o rapaz o que havia visto. Porém, no outro dia a esposa tramou um plano, no qual acabou resultando no papagaio contando uma história, aparentemente fantasiosa e com isso tendo a sua vida ceifada. Porém, mais tarde, o seu dono descobre toda a verdade.

O FILHO DO REI E A OGRA

Agora, contada pelo gênio a história retrata o sequestro do filho do rei por uma Ogra que pretendia alimentar os seus filhos. Porém, a monstra deu uma chance de sobrevivência ao jovem.

O REI DAS ILHAS NEGRAS E SUA ESPOSA

Como continuidade da história do Pescador e o Gênio. O jovem pescador conhece um rei, indicado pelo gênio. O problema, que toda vez que ele levava os peixes de determinado lugar, os animais agiam de forma estranha. Assustado com isso, o rei resolve ir até o lugar onde os peixes eram pescados e lá encontra, um jovem metade homem, metade pedra. O rapaz então começa a relatar a sua história, onde ele era casado com uma feiticeira que o amaldiçoou depois dele ter descoberto a infidelidade dela e quase matado "o ricardão".



NARRATIVA E SIMILARIDADE COM O VELHO TESTAMENTO

Durante essa segunda parte, começaram a aparecer outras formas de narrativas, como a poesia. Sem contar, que em vários momentos provérbios populares eram ditos por vários dos personagens, e que descobrimos,graças as Notas de Rodapé que estão bem presentes no livro e nos ajuda a compreender, cada um dos detalhes que não são de conhecimento publico. E mais uma vez destaco o trabalho do tradutor Mustafa Jarouche.

Apesar de não ter lido nem 150 páginas, somada as duas partes. Algo que foi difícil não passar despercebido ao ler Mil e Uma Noites, foi a similaridade com o velho testamento bíblico. Nesse aspecto, percebe que as narrativas buscam essencialmente disciplinar os seus povos e talvez por isso, tem grande relevância ao longo da história e sobreviveram por tanto tempo.

Veja bem, ao pontuar essa similaridade, não quero dizer que ambas as obras são ficção, ou não - ficção, e sim o objetivo, nas quais elas são colocadas em seus respectivos períodos históricos. Até porque é de conhecimento geral que ao narrar fatos, ele perde o seu aspecto totalmente real, devido aos elementos característicos das narrativas (figuras de linguagem, encadeamento de ideias, etc). Por isso, prefiro não entrar sobre o aspecto real, ou irreal de cada história, deixo isso, para você leitor decidi conforme suas experiências e crenças, certo?

Ao terminar essa segunda parte, aos poucos percebo a grandiosidade dessa obra, e seus muitos elementos da cultura oriental, e também de sua mitologia. Elementos que estão bastante presentes em muitas obras de ficção fantástica dos dias de hoje. Em tão poucas páginas lidas, é difícil não perceber que boa parte do que foi escrito até hoje, não tem influências sobre O Livro de Mil e Uma Noites.

Fiquem de olho que o próximo post sairá no dia 05/03. Enquanto isso, você que está lendo conosco, que tal usar a #lendomileumanoites para que a gente possa saber quais as impressões de vocês sobre a história?



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