Resenha: Sempre Vivemos No Castelo - Shirley Jackson

Shirley Jackson vai te prender no castelo da família Blackwood, mesmo que você não queira.

janeiro 09, 2018 - Postado Por: Rafael Lutty
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Shirley Jackson vai te prender no castelo da família Blackwood, mesmo que você não queira.




Publicado em 1962, três anos antes da morte da autora, “Sempre Vivemos no Castelo” foi o último livro de Shirley Jackson e basicamente ele funciona deste jeito: ou você ama ou odeia. Embora seja considerado a obra-prima da autora, o livro – e a própria Shirley Jackson – não são muito conhecidos no Brasil. Isso se justifica pelo hiato de quase 35 anos desde a última – e única - publicação da autora no Brasil.

Em “Sempre Vivemos no Castelo” acompanhamos a narradora Mary Katherine Blackwood, de dezoito anos, relembrando suas memórias de um trágico acidente ocorrido a seis anos atrás. Toda a família Blackwood foi envenenada durante o jantar e apenas Mary e sua irmã mais velha Constance sobreviveram a tragédia, e o tio Julian, que ficou inválido após ter sobrevivido ao envenenamento. Constance foi acusada pelo assassinato da família, e inocentada posteriormente. Mary não jantou naquele dia pois estava de castigo.



Mary, Constance e Tio Julian, conseguem viver com estabilidade, porém precisam enfrentar a acusação dos moradores do vilarejo que não acreditam na inocência das irmãs Blackwood. A mansão em que moram fica em uma posição isolada no restante do vilarejo, e a única que ainda possui algum contato com o mundo exterior é Marry, que precisa sair de casa para comprar mantimentos e pegar livros na biblioteca.

Mary precisa enfrentar os mexericos do vilarejo e as provocações que recebe, porém procura não demonstrar nenhuma espécie de irritação, embora nutra um ódio especial pela maioria dos moradores. Constance desenvolveu agorafobia, que é o medo de estar sozinho em uma multidão, após o acidente, por isso Marry é a única a ter que enfrentar os olhos do vilarejo. Embora marcados pela tragédia, os três moradores da mansão conseguem estabelecer uma convivência tranquila. Porém isso muda com a chegada do primo Charles.



É óbvio que eu não vou contar os spoilers dos acontecimentos a partir da chegada de Charles, então vou focar no suspense do livro. “Sempre Vivemos no Castelo” não é um livro com um clímax inesquecível, na verdade é um mistério que é facilmente sacado pelo leitor, mas isso não diminui o mérito do livro. O que se destaca aqui, é a escrita da autora, que consegue imergir o leitor no cotidiano dos Blackwood, desde suas muitas peculiaridades, quanto nas ações corriqueiras, como fazer o jantar.

Embora inspire autores como Neil Gaiman e Stephen King, quem espera encontrar neste livro, um belo exemplar da literatura de terror, vai se decepcionar. Trata-se de um livro de suspense, conduzido pelos olhos de uma narradora com um humor mórbido único.



O livro “Sempre Vivemos no Castelo”, vai ganhar uma adaptação para os cinemas em 2018, com Taissa Farmiga no papel de Marry (para quem não lembra, Taissa é conhecida por seus papéis no seriado American Horror Story, e é filha da atriz Vera Farmiga, que interpreta Norma Bates na série Bates Motel). A adaptação foi o provável motivo para que livro fosse lançado no Brasil em 2017.

Shirley Jackson já tinha sido lançada no Brasil em 1983, com o livro “A Assombração da Casa da Colina”, na coleção “Mestres do Horror e da Fantasia” da extinta editora Francisco Alves. Atualmente esgotado, o livro será relançado em 2018 pela editora Suma, já que este também irá ser adaptado para uma série pela gigante Netflix. Vale ressaltar que “A Assombração da Casa da Colina” já possui uma adaptação para o cinema de 1963 e um remake de 1999.



Eu fico feliz de ver uma autora, tão importante para a literatura, ser reconhecida e mais divulgada no Brasil. Mais feliz fiquei por ter os livros publicados pela editora Suma, que não mede esforços para entregar uma edição linda com todo cuidado e carinho. Certeza que estarei na fila do cinema e contando os dias para ter o próximo livro em mãos.


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Sempre Vivemos No Castelo (We Have Always Lived in the Castle)
Autora: Shirley Jackson
Editora: Suma de Letras
Ano: 2017
Skoob: 3.9 Estrelas / Goodreads: 4.0 Estrelas
Compre Aqui: Amazon, Saraiva, Submarino
4,5 Estrelas
Com um humor macabro, Sempre vivemos no castelo conta a história deliciosamente sombria da família Blackwood. Merricat Blackwood vive com a irmã Constance e o tio Julian. Há algum tempo existiam sete membros na família Blackwood, até que uma dose fatal de arsênico colocada no pote de açúcar matou quase todos. Acusada e posteriormente inocentada pelas mortes, Constance volta para a casa da família, onde Merricat a protege da hostilidade dos habitantes da cidade. Os três vivem isolados e felizes, até que o primo Charles resolve fazer uma visita que quebra o frágil equilíbrio encontrado pelas irmãs Blackwood. Merricat é a única que pressente o iminente perigo desse distúrbio, e fará o que for necessário para proteger Constance. Sempre vivemos no castelo leva o leitor a um labirinto sombrio de medo e suspense, um livro perturbador e perverso, onde o isolamento e a neurose são trabalhados com maestria por Shirley Jackson
Autora: Shirley Jackson nasceu em San Francisco, Califórnia, em 1916, e faleceu em 1965. Uma das principais autoras americanas do século XX, influenciou escritores como Stephen King, Donna Tartt, Neil Gaiman e Richard Matherson. Sua obra é leitura obrigatória em diversas escolas dos Estados Unidos, e seu trabalho é aclamado por público e crítica.

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