Resenha: Rosalie Lightning: Memórias Gráficas - Tom Hart

Um relato emocionante sobre vida, morte e esperança.

dezembro 16, 2017 - Postado Por: Thyago Costa
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Um relato emocionante sobre vida, morte e esperança.




"O que você faz quando sua filha morre? Você cai num buraco".

A perda é um dos sentimentos mais temidos pelo ser humano. O medo da morte nos causa um turbilhão de questionamentos que nos afundam no tic-tac de um relógio desconhecido. Quando alguém importante nos é tirado, gritamos angustiados sobre a injustiça divina que permitiu aquilo. O ente querido se foi para o descanso eterno, mas existe descanso para os que ficam? Tom Hart tenta nos responder essa dúvida cruel em seu relato na graphic novel Rosalie Lightning, mostrando as dificuldades e medos que se abateram na sua vida e na de sua esposa, Leela, após o falecimento prematuro de sua filhinha.



Tom Hart e Leela Corman são um casal de cartunistas tentando sobreviver na apertada vida em Nova York. Cansados da vida corrida, eles decidem se mudar para uma cidadezinha na Flórida, onde o casal havia se conhecido no passado. Nessa nova vida, junto com os planos futuros, veio Rosalie, um sopro de alegria e amor. Logo, Tom e Leela embarcaram na fase mais feliz de suas vidas, ao lado da pequenina que era a luz de todos os dias!



Rosalie era uma criança criativa e agitada, adorava historinhas de ninar e desenhos animados (Meu Amigo Totoro era o seu favorito) e cada dia com ela fazia com que Tom aprendesse mais ainda sobre a simplicidade da vida e do amor. Mas aos 2 anos de idade Rosalie faleceu, e a vida do casal desmoronou.

Rosalie Lightning é um relato forte e sensível sobre como uma vida tão pequena e curta pode fazer um estrondo tão grandioso e único. Dividida em três partes principais, a obra narra: os dias de Tom e Leela ao lado da filha, passando por todas as dificuldades financeiras; a morte prematura e destruidora de Rosalie e o período de dor e aceitação do casal.



A narrativa e a arte de Tom se mesclam em um show de metáforas e pensamentos sobre o significado da vida e da morte. Mesmo sendo em preto e branco, é nítido como a mudança de tom acontece quando o traço fica mais sobrecarregado e borrado. A segunda parte do quadrinho, sobre a morte de Rosalie, não tem quadros nem balões. Existe apenas uma fusão de imagens e textos, representando bem a confusão e angústia que o autor passou. Assim como a arte sofre lentamente essa quebra sequencial, ela aos poucos retoma seu padrão, em uma alegoria para a esperança que retornou para Tom e Leela.

As obras de Miyazaki são abordadas pelo autor como pontos de lembrança e fuga. Uma das principais referências está na estética do silêncio, que torna o ambiente mais imersivo e melancólico. É impossível não se emocionar com as poucas palavras e as imagens expressivas que Tom apresenta em cada virar de páginas.



Apesar de trazer um tema tão triste, Rosalie Lightning é uma homenagem para a passagem emocionante de Rosalie na vida de Tom e Leela, e mostra como o luto e a dor de ambos aos poucos deu lugar para o renascimento da esperança que sua filha plantou em dois anos ao seu lado.


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Rosalie Lightning: Memórias Gráficas (Rosalie Lightning: A Graphic Memoir)
Autor: Tom Hart
Editora: Nemo
Ano: 2017
Skoob: 4.1 Estrelas / Goodreads: 4.1 Estrelas
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05 Estrelas
Rosalie Lightning é o belíssimo memorial do cartunista Tom Hart, já indicado ao Prêmio Eisner 2017, sobre a morte prematura de sua pequena filha Rosalie. As ilustrações comoventes atingem em cheio qualquer leitor e nos conduzem na jornada da família de Hart após sua perda. Com a expressão gráfica que representa como ele e sua esposa buscaram sentido na esteira da morte de Rosalie, o autor explora os temas do luto, da desesperança, do renascimento e, por fim, da redescoberta da esperança.
Autor: Tom Hart é cartunista de grande aclamação crítica, indicado ao Prêmio Eisner e Diretor Executivo do Sequential Artists Workshop em Gainesville, Flórida. É o criador de Daddy Lightning e da série de graphic novels e livros com o personagem Hutch Owen. The Collected Hutch Owen foi indicado ao Prêmio Eisner de melhor graphic novel em 2000. Hart já foi laureado com a Bolsa Xeric para cartunistas independentes, ensina arte sequencial na Universidade da Flórida e lecionou durante dez anos na School of Visual Arts de Nova York.

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