Resenha: Alena - Kim W. Andersson

Mais do que um banho de sangue, Alena é um convite à reflexão.(mas não deixa de ser um banho de sangue)

dezembro 04, 2017 - Postado Por: Rafael Lutty
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Mais do que um banho de sangue, Alena é um convite à reflexão.
(mas não deixa de ser um banho de sangue)




Alena me surpreendeu!

Vamos começar com essa afirmação, pois foi exatamente isso que aconteceu.

Nessa hq sueca de Kim W. Andersson, acompanhamos a conturbada vida de Alena, aluna em uma escola elitizada que lhe ofereceu um grande desconto nas mensalidades. E o que poderia ser uma grande oportunidade de ter acesso a uma educação de qualidade, transforma-se em um pesadelo diário, já que Alena tem que lidar com a realidade da discriminação e do bullying por parte de outras alunas, em especial, Filippa.



Filippa é a típica patricinha, filha de uma família muito rica, que vê Alena como uma pária na escola, alguém que jamais pertenceria à escola. E é em insultar e agredir Alena das mais diversas formas, que Filippa encontra sua diversão. As ações da jovem vilã, nos levam a refletir sobre como a forma que enxergamos o outro é moldada por todo o nosso contexto social.

E se a sua melhor amiga voltasse “from beyond the grave” (do além-túmulo), para continuar te fazendo companhia? Pois é meus caros corajosos de plantão, é justamente isso que acontece no caso da nossa protagonista. Sua melhor amiga, Josefin, faleceu há um ano em um acidente misterioso, e ainda assim, continua a fazer companhia para Alena, incitando-a a revidar as injúrias das quais é o alvo.



Os que esperam encontrar uma história com boas doses de gore e sangue, e os que preferem o desenvolvimento psicológico dos personagens, são saciados pelas ilustrações e roteiro de Andersson. A construção da narrativa da história, caminha para um clímax eminente desde as primeiras páginas. As situações as quais Alena precisa enfrentar trazem a realidade do bullying, do preconceito, da discriminação, da aceitação e das relações abusivas.



Alena ganhou uma versão homônima para o cinema em 2015. O filme contou com a direção de Daniel di Grado e teve Amalia Holm Bjelk no papel de Alena e Molly Nutley como Filippa. Embora siga o roteiro da hq, o filme conta com algumas adaptações mais enfáticas, como a substituição de personagens masculinos, por femininos. Fabian, o provável par romântico de Alena, virou Fabienne e o diretor da escola também foi substituído por uma diretora no filme. Apesar das diferenças, o filme é muito bom e carrega a mesma atmosfera sangrenta do quadrinho.

Além do show visual que a arte de Andersson consegue montar, Alena se destaca por trazer reflexões sobre a justificativa de alguns atos. Até que ponto uma pessoa consegue aguentar o abuso? A culpa? Os segredos? A leitura de Alena nos leva a um plot twist que não é tão inesperado assim, mas que consegue fazer jus a toda a história e é impossível não terminar a leitura sem sentir convidado a refletir.



Eu realmente indico esta hq para quem não tem problemas com cenas cobertas de sangue, e também indico a leitura para os que procuram uma história que os faça pensar e analisar suas próprias ações e a forma com a qual enxergamos as diferenças.


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Alena
Autor: Kim W. Andersson
Editora: AVEC
Ano: 2017
Skoob: 4.0 Estrelas / Goodreads: 3.3 Estrelas
Compre Aqui: Amazon, Saraiva
05 Estrelas
A vida de Alena é um inferno. Desde que começou a estudar em um colégio cheio de colegas esnobes, ela sofre bullying de Filippa e das outras meninas do time de lacrosse. A melhor amiga de Alena acha que já chega de aguentar todo esse abuso. Seja da conselheira, do diretor, de Filippa ou de qualquer outra pessoa nessa escola repulsiva. Josefin promete resolver o assunto por conta própria a menos que Alena dê o troco. Só existe um problema: Josefin está morta há um ano.
Autor: Kim W. Andersson estreou em 2009 com a série Love Hurts, e desde então as histórias em quadrinhos de terror romântico têm sido sua marca registrada.

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