Resenha: Sangue por Sangue - Ryan Graundin

Segundo livro da Duologia que teve a intenção de se debruçar sobre "e se Hitler tivesse ganhado a Segunda Guerra Mundial", termina com um gosto de "poderia ser melhor"

setembro 18, 2017 - Postado Por: Redação SOODA
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Segundo livro da Duologia que teve a intenção de se debruçar sobre "e se Hitler tivesse ganhado a Segunda Guerra Mundial", termina com um gosto de "poderia ser melhor"




Sabe quando você pega uma história e acredita bastante no potencial dela. O primeiro livro termina e você ainda acredita que pode melhorar e quando finalmente chega ao fim do segundo ou terceiro livro, você continua com a sensação de que a se a autora fizer um remake, ela finalmente vai engatar. Foi esse sentimento que tive em ler "Sangue por Sangue" da autora Ryan Graundin. É uma história que terminou e mesmo assim continuo acreditando no potencial dela.

Quase tive vontade de escrever uma Fanfic, mas vamos lá, deixa eu explicar...

Primeiramente, vale ressaltar que estou fortemente influenciado pelo momento histórico que estamos vivendo, com ascensão da extrema-direita e inclusive a realização de protestos em favor da supremacia branca, como o que ocorreu em Charlottesville no último dia 11 de agosto de 2017. Então, talvez por isso a minha exigência e necessidade de histórias que caminhe por esse aspecto com objetivo de alertar a população mundial do perigo que estamos vivendo.



"Sangue por Sangue" é a continuação de "Lobo por Lobo", história que mostra um universo paralelo, onde Hitler e o Eixo ganharam a Segunda Guerra Mundial e agora o mundo está desolado e dominado por ditador. Com objetivo de demonstrar o seu poderio, foi implantado a "Tour do Eixo", uma corrida de Motocicleta (mais um Rally na verdade) que percorre todo o território dominado pelo Eixo e o vencedor tem um encontro com o Hitler no Japão. Momento propicio para matar o próprio e eclodir a resistência em toda a Europa. E quem ficou responsável por essa missão foi a jovem Yael. Uma judia que depois de muitos testes adquiriu a habilidade de mudar de forma. Ela assume então, a face da Adele para seguir com o seu objetivo de matar Hitler....

RESENHA COMPLETA DO PRIMEIRO LIVRO

OBSERVAÇÃO - A Partir daqui, spoilers do primeiro livro serão inevitáveis



No baile da Vitória, Yael não consegue matar Hitler, na verdade ela até mata uma pessoa, porém era um metamorfo, assim como ela que estava transfigurado na figura do Hitler. Porém, foi o estopim e a resistência começou sua revolução para finalizar de vez aquela ditadura. Mas o objetivo final de matar Hitler tinha que ser atingido, mas agora será mais difícil.

Antes de tudo, é necessário compreender como estão cada um dos envolvidos nessa trama. Yael. Ela fugiu como uma certa facilidade até, porém o exercito já sabia que estavam a procura de uma pessoa sem rosto, e sabiam quem ela tinham uma tatuagem com cinco lobos. Mas como?

Felix. O jovem foi capturado pelo exercito nazista e depois de muita pressão e saber que Yael na verdade não é a sua irmã acabou falando. Por falar nisso, os nazistas bolaram um plano para que ele se reaproximasse de Yael, e quando ela chegasse no QG da resistência, ele deveria delatar. Com o ódio que ele estava sentindo da jovem, não era difícil.

Luka. O vencedor da Tour do Eixo estava enrascado, visto que ele levou Yael para o baile da vitória, então ele fugiu atras da jovem e descobriu que ela era metamorfa. Mais tarde ele e Yael foram capturados, mas "foram soltos", lembram do plano do exercito nazista? Então, os três juntos "fugiram" e caíram e território soviético. Lá descobriram que o exercito da Rússia estava se preparando para o ataque. E Yael reencontrou uma grande amiga que também conseguiu fugir. Miriam. Porém o plano do soviético mudou com a chegada dos três jovens. Eles tentariam matar Hitler mais uma vez.

A jornada dos quatro é bastante interessante, mas tem problemas. Felix, passa muito tempo dormindo por causa da morfina e quando acorda é para "fazer besteira", é bem verdade que se eu estivesse na posição dele faria o mesmo, não por acreditar em Hitler, mas porque uma pessoa totalmente desconhecida colocou a vida da família dele toda em risco, não importando a causa, isso é traumático. O problema é que as delações dele foi muito fácil. toda vez que ele acionava um telefone e falava, era tão fácil, que chega a perder um pouco de verossimilhança da história.

Além disso, a história de amor entre Yael e Luka de jeito nenhum se conectou, pelo menos não comigo. Luka entendeu as coisas muito fácil, assim como Yael ficou caidinha por ele do nada, em meio a guerra. Entendo que é comum em histórias YA relacionamentos amorosos nesse aspecto. Mas não rolou.

E Miriam tinha um potencial para ser uma boa personagem, de verdade. Mas foi sub-utilizada. Com toda a expertise que ela ganhou no exercito soviético, ela deveria entregar mais. Se simplesmente apagassem ela da história e passasse suas funções na história para outro personagem, não teria feito diferença nenhuma para o enredo.



Além disso, o meu maior problema com a história foi parecido com o que muitas pessoas reclamaram no primeiro livro, o que eu não acho que era relevante para aquele momento, e acreditei de fato que viria nessa segunda história. O panorama mais humanizado dos impactos de Hitler na Segunda Guerra Mundial. Vê o que de fato estava acontecendo com as pessoas, a repressão, o uso do discurso da supremacia sobre as minorias. Isso para mim foi desperdiçado nessa história. As coisas foram muito superficiais nesse aspecto, talvez por isso, a conexão com os personagens foi fraca.

Em compensação, houveram acertos sim, como as saídas para algumas soluções e também a jornada criada que não foi tão fácil, e nem deveria ter sido. E gostei bastante disso, mostrando a revolução sendo massacrada pelo exercito nazista, afinal de contas, eles estavam muito mais bem equipados e treinados que os resistentes.

A história flui bem, então não tive dificuldade com a leitura. Quando eu cheguei ao final da história (inesperado pra mim) senti que a jornada por esse universo foi boa sim, porém mais poderia ter sido feito, o que talvez esse mais não fosse suficiente em mais um livro, ficasse mais adequando a uma trilogia. Então, essa história teria sim, duas soluções de enredo, que a meu ver, funcionaria. Ter terminado no primeiro livro com a morte do Hitler (de verdade). Ou ter continuado até um terceiro livro, dando oportunidade para que a gente conhecesse mais afinco o que Hitler e o Eixo seria capaz de fazer com o mundo. Sei que essa autora poderia mais, já vi a capacidade dela em Cidade Murada

Sangue por Sangue (Blood for Blood)
Lobo por Lobo #02 (Wolf by Wolf #02) Autora: Ryan Graudin
Editora Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2017
Skoob: 4,5 Estrelas/ Goodreads:3,5 Estrelas
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03 Estrelas
Para o Terceiro Reich, a Segunda Guerra Mundial pode ter acabado, mas para a resistência a luta está apenas começando. Yael é sobrevivente de um campo de extermínio e tem uma habilidade especial é uma metamorfa, capaz de mudar a aparência física e assumir a forma de qualquer pessoa. Ela também é uma garota em fuga o mundo acabou de vê-la atirar e matar Adolf Hitler. Yael é a inimiga número 1 da Germânia e de seus aliados, e vai precisar se infiltrar no território inimigo mais uma vez se não quiser pagar com o seu próprio sangue. Em meio a segredos sombrios acompanhados por verdades obscuras, apenas uma pergunta paira na mente de todos do grupo de Yael o quão longe você iria por aqueles que você ama.
Autora:Ryan Graudin é da Carolina do Sul e formada em Escrita Criativa, desde 2014 vem publicando livros para o publico YA, o primeiro deles a chegar no Brasil foi Cidade Murada, e agora a Duologia Lobo por Lobo vem para conquistar os fãs brasileiros mais uma vez..

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