Resenha: Os 27 Crushes de Molly - Becky Albertalli

Dilemas adolescentes como amores platônicos e amizade se unem a temas como gordofobia e orientação sexual, com o olhar doce da autora de Simon Vs a Agenda Homo Sapiens

setembro 07, 2017 - Postado Por: Redação SOODA
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Dilemas adolescentes como amores platônicos e amizade se unem a temas como gordofobia e orientação sexual, com o olhar doce da autora de Simon Vs a Agenda Homo Sapiens




Lembro que aos 11 anos de idade, estava na quinta série, quando meu coração começou a pulsar tão forte pela primeira vez. Foi tão de repente, não sabia o que estava acontecendo. Todos os dias comichões surgiam no meu estômago, especialmente quando eu olhava para ele. Mas eu estudei tantos anos com ele. Como isso aconteceu de repente? Não sei explicar, só queria estar perto dele. Olhar para ele. Criar expectativa. Na verdade, mais que expectativas, músicas. Sim criei músicas para ele. Olha aí o trecho: "Não esqueça/ não esqueça/ de tudo que eu te dei. Não esqueça/ não esqueça/ da minha felicidade". Era o meu primeiro crush. E apesar de não ter tido 27 como Molly, eu tive alguns. E provavelmente você também. Então com certeza irá se identificar com essa história, assim como eu. (Resenha fortemente influenciada detected).

A história de Molly é muito próxima de muitos de nós, talvez todos. Ela é uma jovem de 17 anos, flor da adolescência, de descobertas. De crushes. Na verdade, na minha época (não sou tão velho. Proíbo vocês de fazerem as contas) chamava-se de amores platônicos. Aqueles que a gente sonha uma vida, dá aquele aperto quando vemos a pessoa. Nosso cérebro não funciona nem no tranco. E no final das contas, não chega nem a se consolidar com um beijo. E isso já aconteceu com Molly, pelo menos 26 vezes (comigo foram 10).



Ela tinha medo. Até porque era fora dos padrões. Molly é gorda. E todos sabemos o quanto é difícil para uma pessoa acima do peso conseguir entrar em um relacionamento. Especialmente quando passa a vida inteira, especialmente a adolescência, sofrendo bullying, tanto que ela começou a ter ataques de pânico, daqueles que precisava tomar remédio. Por isso ela tinha chegado aos 17 anos sem nunca ter beijado.

Porém, as coisas começam a mudar. Sua irmã gêmea e melhor amiga começa a namorar. Abby (lembram dela em Simon?) foi embora para outra cidade. Ela conhece Will, um jovem hipster e bonito que parece estar interessado por ela. E também começa a trabalhar em uma loja e lá conhece o filho do patrão, Reid, um cara esquisitão, que se amarra em histórias de fantasia, como Senhor dos Anéis e Game of Thrones. Será que finalmente ela irá superar a fase do crush pela primeira vez?



OS DILEMAS DE MOLLY, PODERIA SER O SEU

Diferente de Simon que é bem mais espevitado, Molly é mais contida, timida, porém divertida. E seus dilemas são universais, entre os adolescentes. Como o ato de ter crushes, e o modo como ela lida com isso é extremamente divertido e palpável. A autora possui um humor quase ingênuo, onde facilmente gargalhamos de piadas simples, rimos porque provavelmente já aconteceu com a gente em algum nível, e isso acaba sendo bem marcante. Eu que passei pela adolescência, há uns 10 anos (não faz as contas, nunca te pedi nada) me sentir num clima notálgico, do tipo: "Meu Deussssssss, isso aconteceu comigo".

Além disso, a autora criou um núcleo familiar com bastante força. Sua irmã, apesar de ser bem diferente dela, é um complemento necessário para deixar a história mais fofa e divertida de se acompanhar. Suas mães, Nadje e Patty são o tipo de pais, que gostaríamos sempre aos nossos lados. Elas são bastante compreensivas e dão conselhos bem valiosos as jovens.



A DIVERSIDADE AFLORA

Becky não economizou na diversidade nesse livro. Algo sempre presente em suas obras. A autora que também é psicologa e atua na área de diversidade sexual. Nada mais justo do que colocar essa situação em seu livro. E melhor, com naturalidade e sempre de uma forma positiva. Até porque a literatura precisa trazer outros espectros. E uma história onde a tolerância está implantada. É tão bonito de ler. Apesar de haver sim, uma personagem homofóbica, e outra no mesmo espectro, mas que consegue relevar algumas circunstâncias.

Na história, conhecemos a Cassie irmã de Molly que é lésbica. Mina, a namorada de Cassie que é Pansexual. As mães de Molly e Cassie vivem juntas há muito tempo. E alias, o livro acontece num contexto em que houve a liberação da união homoafetiva nos Estados Unidos, então vai acontecer nessa história uma coisa tão fofa, que é quase impossível não torcer pra dar certo.

Dia desses, vi em uma entrevista da autora (clique aqui), o quanto ela gosta de unir casais em seus livros. Então ao chegar no final da história é quase como finalizar um pacote de balas. Com gostinho de quero mais, mesmo entupido de doçura até a alma.



Vemos algumas diferenças entre Simon vs a Agenda Homo Sapiens e Os 27 Crushes de Molly. Porém, as mensagens positivas que ambos trazem é o ponto convergente e necessário para explanar, em meio a tanta intolerância que vivemos nos dias de hoje.


Os 27 Crushes de Molly (The Upside of Unrequited)
Autora: Becky Albertalli
Editora Intrinsecar
Ano: 2017
Skoob: 4,2 Estrelas / Goodreads:4,07 Estrelas
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05 Estrelas
Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas.
Autora: Becky Albertalli é psicologa e trabalhou durante muitos anos com adolescentes que tinham problemas em relação a sua orientação sexual, até ela escrever Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens, seu primeiro livro que virou febre e agora terá filme em 2018. Os 27 Crushes de Molly é o seu segundo livro. Confira a entrevista exclusiva que fizemos com a autora no inicio de 2016. Clique Aqui.

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