Resenha: Abominação - Gary Whitta

Esse não é um livro sobre Vikings.

setembro 21, 2017 - Postado Por: Yuri Lima
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Esse não é um livro sobre Vikings.


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Eu adoro um clichêzão, e vocês? Esse negócio de “aprender a domar seu demônio interior” e “encontrar quem eu realmente sou” usando de alegorias é muito maneiro. Assim, Avatar é um dos maiores filmes clichês que eu já vi, mas é bem feito, conta a história bonitinha, tem clímax bonitinho... está tudo ali.

O problema é que quando não está tudo ali, a história parece só mais uma e o clichê cresce aos olhos. Ou pior, a pretensa originalidade se perde. Então vamos falar de "Abominação".

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Vou logo explicando que eu fiquei hiper frustrado com o livro e a culpa é toda da divulgação e do marketing que foi feito em cima dele. O livro me foi vendido como uma história de vikings e fui surpreendido com uma história sem viking nenhum!

Ok, não vou ser desonesto. Os vikings existem, são citados em vários momentos, em flashbacks e menções, mas eles não participam da história e sequer tem falas ou linhas. Basicamente, eles servem como motivação pro início do enredo, mas pelas próximas 250 páginas do livro eles sequer são relevantes ou mencionados.

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“Mas, Vossa Nerdicência, sobre o que é livro afinal, se não é sobre vikings?”

O enredo perpassa por fatos históricos. Após a morte de seu irmão, rei Etelredo, rei Alfredo (que foi o único rei inglês a quem foi concedido o epíteto "O Grande") assume o reinado e também a guerra contra os dinamarqueses pagãos que invadiram a Grã-Bretanha. E após vitória na Batalha de Ethandun, Alfredo consegue um armistício com os vikings e uma trégua. Entretanto isso aconteceu há alguns anos e é apenas mencionado no livro.

A história começa mesmo durante a trégua, enquanto o líder dos dinamarqueses, Guthrum, está doente e sua iminente morte pode criar um vácuo de poder e reacender os conflitos com os ingleses (spoiler histórico: é isso que acontece mesmo, mas não é contado no livro). Com medo desse futuro, Alfredo aceita a proposta do arcebispo da Cantuária, Aetherled, de usar magia para fortalecer seu exército.

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Mas o coitado não sabia das regras básicas da magia na ficção: tem sacrifício? Tem sangue? Criaturas sanguinárias surgem? Fede a enxofre? Então isso tem tudo pra dar errado, não é parceiro?

O rei Alfredo proíbe o arcebispo de continuar os experimentos, só que já era tarde e Aetherled foge para continuar seu projeto e criar abominações (hã? Hã? Hã?) mais fortes. Então o rei chama o seu guerreiro mais badass, um verdadeiro berserker, Wulfric, o Selvagem, para liderar uma expedição de extermínio de abominações.

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E é aí que acaba a primeira parte do livro.

Isso mesmo, o livro é divido em duas partes e a segunda se passa 15 anos depois, mostrando consequências do que aconteceu na primeira parte, por isso eu não vou falar porque o terreno é fértil de spoilers e se eu der algum o livro fica pior.

“Mas o livro é ruim, Yuri, ó Nerd?”

Não, na verdade não. A primeira parte do livro é bem dinâmica e apesar de eu sentir falta de um pouco mais de ação, achei bem empolgante. Mas o ritmo cai vertiginosamente na segunda parte se tornando um livro enfadonho e previsível com um final bem aquém do esperado. Faltou um pouco mais personagens complexos e plot twists, algo que é perceptível pelo autor ser tradicionalmente um roteirista de Hollywood, e talvez a forma da escrita funcione bem em uma película, mas em um romance parece que falta algo.

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No final, é uma história que tinha potencial para ser algo mais e ir além, mas foi limítrofe e acabou morrendo nos clichês do gênero. É uma boa história pra quem quer algo direto e rápido (coisa em falta no gênero de fantasia), mas passa longe de ser um expoente. E reitero minha forte crítica ao marketing do livro, pois, além de mim, muitos de meus contatos foram levados pela promessa de “história viking” e boa parte da experiência do livro foi frustrada por causa disso.
Abominação (Abomination)
Autor: Gary Whitta
Editora: Darkside Books
Ano: 2017
Skoob: 4.0 Estrelas / Goodreads: 3.6 Estrelas
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03 Estrelas
A era medieval é muito mais conhecida por seus mistérios do que por seus registros históricos. Talvez seja melhor assim. Há quem acredite que estaremos mais seguros enquanto não soubermos de toda a verdade. Mas quem disse que as lendas não podem ser mais reais do que você imagina? Abominação reconta um dos capítulos mais sangrentos da história da Inglaterra: as invasões vikings do século IX. Apresentando personagens e batalhas reais, sua narrativa vai muito além do que poderíamos encontrar nos livros de história. Com influências de Lovecraft a Game of Thrones, vem sendo recebido mundo afora como um novo clássico para fãs do gênero.
O reino de Wessex foi o único da Inglaterra que escapou dos invasores nórdicos. Seu rei, Alfredo, negocia um acordo com os bárbaros do Mar do Norte, mesmo sabendo que eles não são adeptos da paz. É preciso estar preparado, a guerra pode recomeçar a qualquer momento. O arcebispo da Cantuária oferece proteção ao reino, através de feitiços descobertos por ele em velhos pergaminhos. O rei só não poderia imaginar que a magia seria ainda mais perigosa que os próprios vikings.
Autor: Gary Whitta é um nerd profissional. Foi editor-chefe da PC Gamer e roteirista de jogos como The Walking Dead: The Game e Halo 5: The Guardians. Fã confesso de Tolkien, é um dos criadores do enredo de Rogue One: Uma História Star Wars. Escreveu os roteiros de O Livro de Eli, Depois da Terra e da série de animação Star Wars Rebels. Fez figuração como “zumbi de pijama” na primeira temporada de The Walking Dead. ABOMINAÇÃO é seu primeiro romance.

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