Resenha: A Zona Morta - Stephen King

Não é preciso ser Johnny Smith para saber que você precisa ler este livro.

agosto 21, 2017 - Postado Por: Rafael Lutty
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Não é preciso ser Johnny Smith para saber que você precisa ler este livro.




A Zona Morta (The Dead Zone) completou seus 38 anos este mês e, desde seu lançamento em 1979, continua sendo um dos livros mais famosos do escritor Stephen King. O livro reúne todas as características de escrita que fizeram do King um dos escritores mais cultuados do séc. XIX.

A história do livro gira em torno do professor de ensino médio Johnhy Smith, que após sofrer um acidente, fica em coma por mais de quatro anos. Quando acorda, Johnny percebe que possui a habilidade ler o passado e o futuro das pessoas com apenas um toque. Embora a sinopse do livro indique que a trama principal da história é o que Johnny irá fazer quando, ao tocar um político, prevê algo semelhante ao fim do mundo, King explora muitas outras tramas secundárias no livro e guia o leitor em um mergulho profundo nos dramas pessoais do protagonista.



Um dos núcleos da história é a família de Johnny, que tem como destaque Vera Smith, mãe do protagonista, fanática religiosa, que acredita que seu filho voltou à vida para cumprir uma missão divina. A crítica que King faz, através desta personagem é muito clara. Tecer críticas sobre os males do fanatismo religioso, inclusive, não é algo raro nos livros do autor, podemos citar Margaret White (Carrie), Mrs. Carmody (O Nevoeiro) e Charles Jacobs (Revival), como outros personagens nos quais King explora a questão religiosa.

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Antes do acidente, Johnny namorava Sarah Bracknell, também professora, ao acordar de seu coma profundo, ele descobre que Sarah seguiu em frente com sua vida e além de ter que lidar com sua nova habilidade fantástica, precisa lidar com o fato de ter perdido o grande amor da sua vida. O drama pessoal do protagonista é amplamente explorado em todo o livro, os anos que perdeu, entender se sua habilidade é uma benção ou uma maldição, interferir ou não na vida das pessoas e a exposição midiática que recebe, fazem com que o leitor simpatize com o Johnny e por muitas vezes se coloque no lugar do mesmo.



Johnny é o ponto central que costura várias outras pontas soltas no livro. Embora tenhamos um vilão revelado já nas informações de capa do livro, outra figura rouba a cena nas margens da história. Não vou revelar de quem se trata pois isso seria spoiler, mas para quem vai arriscar a leitura, convido fazer uma comparação com o vilão da trilogia Bill Hodges, um dos últimos lançamentos do autor.

Embora Stephen King seja automaticamente associado ao gênero terror, em A Zona Morta temos um suspense com boas pitadas de ficção científica. É realmente difícil largar o livro depois que se inicia a leitura, pois cada entrelinha carrega uma tensão, medida de maneira estratégica, para que as páginas continuem a virar freneticamente até seu clímax. A narrativa deste livro está entre as melhores de King.



Como já é de costume, o livro ganhou uma adaptação para o cinema em 1983, com direção e produção de David Cronenberg, trazendo Christopher Walken no papel de Johnny, e com sérias falhas de adaptação com relação ao livro. Se assistido de maneira isolada, talvez seja um excelente filme de suspense da década de 1980, mas se comparado ao romance de King, deixa muitíssimo a desejar. A adaptação corta pontos essenciais para a história e superficializa muitos personagens importantes para a trama.

Embora não seja uma boa adaptação do livro, o filme conta com ótimas referências, incluindo ao autor Edgar Allan Poe e ao livro A Lenda do Cavaleiro Sem-Cabeça, o clássico romance de Washington Irving. O curioso é que, no filme, o professor Johnny incentiva seus alunos a lerem o livro de Irving e alguns anos depois (1999) o ator Christopher Walkern interpretaria o próprio cavaleiro sem-cabeça no filme Sleepy Hollow (1999) de Tim Burton.


Além do filme de 1983, A Zona Morta foi adaptada para uma série de TV, que chegou a ser transmitida aqui no Brasil, nas madrugadas do SBT, com o nome de O Vidente. Muito popular nos Estados Unidos, a série durou seis temporadas e contou com o ator Anthony Michael Hall na pele de Johnny Smith. Eu assisti ao piloto da série, e apesar de ter um início promissor como adaptação do livro, muitos outros pontos da história original são modificados drasticamente e deixam clara a ideia de que a série pretende caminhar por tramas próprias.

Uma das coisas mais interessantes para os leitores de Stephen King, na verdade para qualquer leitor que leia muitas obras do mesmo autor, é encontrar as referências soltas na história. É como se fosse um jogo de procurar easter eggs escondidos pela história. Em A Zona Morta temos uma citação direta a Carrie, e outra a banda Ramones, de quem King é declaradamente fã. A banda compôs a música Pet Sematary para a adaptação do livro O Cemitério.



Com uma narrativa fluida e personagens muito bem construídos, não é difícil perceber o motivo deste livro ser um dos mais cultuados do autor. Está longe de ser um livro escrito para causar medo no leitor, e não tem um grande aprofundamento na questão sobrenatural, mas é um livro onde o drama e o suspense reinam a cada página. Uma obra absolutamente indicada e necessária para os fãs do autor, ou para qualquer leitor que queira acompanhar Johnny Smith e seu estranho dom.
A Zona Morta (The Dead Zone)
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras (Companhia das Letras)
Ano: 2017
Skoob: 4.4 Estrelas / Goodreads: 3.9 Estrelas
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05 Estrelas
Quando criança, John Smith caiu ao patinar no gelo e bateu a cabeça – um pequeno incidente que traria consequências inimagináveis. Anos depois, após sofrer um acidente de carro e passar mais de quatro anos em coma, as mudanças que tiveram início naquele dia se concretizam. Ao despertar John descobre que passou a ter poderes inexplicáveis. Com apenas um toque, ele é capaz de ver o passado e o futuro de uma pessoa. Famoso da noite para o dia, considerado abençoado por muitos, John não se sente tão sortudo. Sua namorada agora está casada com outro, as pessoas esperam que ele resolva todos os seus problemas, e suas visões se tornam cada vez mais sinistras...
Ele não desejou isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?
Escrito no final dos anos 1970, A Zona Morta é um dos livros mais aclamados de Stephen King. Misturando suspense, terror sobrenatural e elementos de ficção científica, a trama mantém o leitor virando as páginas compulsivamente até o fim.
Autor: Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar. De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).

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