Resenha - O Príncipe Cativo - O Escravo: C. S. Pacat

Príncipe se torna escravo sexual do reino vizinho, mas esse é o menor dos problemas

agosto 23, 2017 - Postado Por: Redação SOODA
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Príncipe se torna escravo sexual do reino vizinho, mas esse é o menor dos problemas




A relação sexual é um ato extremamente forte na psique humana. Tanto que distúrbios sexuais além de frequente provocam vários problemas de várias ordens (não vou entrar no mérito), sendo fator decisivo até mesmo para provocar ou parar uma guerra. Apesar, das doutrinas cristãs e muçulmanas (as maiores da humanidade) tentarem ceifar tudo que saia da caixinha. Esses atos continuam existindo. Afinal de contas. É inerente ao ser humano. Com exceção dos seres assexuais (cerca de 1% da humanidade). O sexo é extremamente importante para nós.

Antes então...

As sociedades ocidentais antigas consideravam a maioria das mais diferentes formas de fazer sexo como normal, a prostituição era legal; a homoafetividade não tinha um peso proibitivo como nos dias de hoje. Inclusive, na sociedade grega, o homem fazer sexo com outro homem poderia significar a transferência de experiência (gregos), ou era permitido desde que fossem com escravos (romanos). As questões proibitivas nessas sociedade estavam mais relacionadas com o excesso de atividades sexuais.

E buscando um pouco dessas referências, chegamos ao plot do "Principe Cativo", sociedade dividida em dois reinos (Akielos e Vere), onde essa questão sexual era extremamente liberal.



ESCRAVOS DE ESTIMAÇÃO

Nos dois reinos existiam os chamados Escravos de Estimação, homens que nasceram e foram treinados para as várias práticas sexuais. Essas práticas poderiam ser com seus regentes, ou ainda entre os escravos. Os jovens que eram direcionados a essa prática, tinham treinamentos de como tratar os seus regentes (sexualmente) e também como realizar as performances públicas (semelhante as lutas gladiadoras que terminavam em penetração). Muitos dos regentes eram Voyeurs e gostavam de assistir essas práticas. Eram seu entretenimento.

Apesar de uma sensação de que as pessoas fazem aquilo porque gostam, não é verdade, eles eram escravos. E ainda existiam práticas como pedofilia (nesse primeiro livro não é descrito nenhuma cena), e também estupro (Interessante, que apesar do homem está passando por essa situação, não somos condicionados a ver como estupro, mas por favor galera, Não é consensual, é estupro). Enfim, algumas cenas nesse livro são agressivas, apesar de não serem extremamente gráficas.

AFINAL DE CONTAS, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

O antigo rei de Akielos morreu, e o filho ilegitimo do rei assumiu o trono e decidiu que iria matar o seu irmão "oficialmente". Porém, por baixo dos panos, ele enviou o seu irmão, o príncipe Damen, para o reino de Vere, como um presente para o regente, para servir de escravo sexual para o reino "inimigo" (Eles tem uma animosidade alta, porém estavam em trégua, e esse presente servia como isso).

O regente entrega então Damen, para o futuro rei de Vere, o Laurent, que está prestes a ter idade de assumir o trono. O jovem era visto pelo tio como infantil e sem capacidade para o cargo. Porém, quando enxergamos mais próximos de Laurent, percebemos que ele é extremamente perspicaz e inteligente, que tudo que faz é como forma de sobreviver a corte de Vere. O que não torna ele uma pessoa boa, pelo contrário.

Laurent não utilizava nenhum dos escravos para fins sexuais. Muitos acreditavam que ele era assexuado, ou tinha cortado o pênis para não sentir prazer, chamavam-o de "Principe frigido". O que não significa que ele não praticava atrocidades. Damen tinha muito ódio dele por isso. Afinal de contas, apesar dele não sofrer como seus conterrâneos que também eram escravos, ele via o sofrimento deles de perto (até mais de quando ele estava em Akielos), o que provocava bastante revolta. E depois ele aprendeu a usar isso ao seu favor.



PARA TER REINADOS EM PÉ, PESSOAS CAEM

Além de todos esses acontecimentos, as coisas não estavam exatamente boas, nem em Vere, e muito menos em Akielos.

Em Vere, o maior problema estava no contexto politico, nas intrigas, traições que perpassavam no interior da corte. O sangue de poder é enorme nesses locais, então as pessoas faziam de tudo para conquistar, sendo assim, a posição de Laurent não é exatamente a melhor possível.

Já em Akielos o negócio tá um pouco pior. Porque afinal de contas, o agora rei não deveria achar que "mataria" o príncipe Damen, assumiria o trono e ficaria tudo bem. Claro que não, revoltas começaram a eclodir em Akielos enfraquecendo o reinado do jovem rei. E a corte de Vere estava atento a tudo isso. Seria uma oportunidade?

Ao terminar o livro percebi que apesar das intrigas e traições não serem tão inovadoras assim, a questão da servidão sexual me deixou relativamente desconfortável, o que não é necessariamente ruim, depende das reflexões que se faça acerca da história. Especialmente, quando estamos mais acostumados a ver mulheres como moeda de troca nesse processo. E quando vemos isso é um momento de repensar muitas questões.

Terminei o livro curioso para continuar a série, entender o seu desenrolar, e quem sabe torcer por um "shippezinho" (Pq Não?). Enfim, tudo depende do desenrolar dos próximos livros. Afinal, o foco principal dessa história não é o amor, mas a guerra, especialmente a guerra interior para libertarmos os nossos preconceitos e mesmo assim, tendo o cuidado de não invadir o terreno do outro, o que é extremamente importante. Ah, já ia esquecendo. Parte do final dessa história foi um pouco previsível pra mim, mas nada que influencie na experiência literária que tive com esse livro.
O Escravo (Captive Prince)
O Príncipe Cativo #01 (Captive Prince #01)
Autor: C. S. Pacat
Editora: Plataforma 21 (V&R)
Ano: 2017
Skoob: 3,9 Estrelas / Goodreads: 3,9 Estrelas
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04 Estrelas
Damianos é um herói para o seu povo e o legítimo herdeiro do trono de Akielos. Mas, depois da morte do pai, seu meio-irmão toma o poder e o captura, vendendo-o como escravo. O guerreiro é obrigado então a servir a Laurent, o príncipe de Vere, a poderosa nação inimiga. Para manter em segredo sua verdadeira identidade e as marcas que escondem seu passado, Damen – como também é conhecido – aceita a condição submissa. Mas Laurent é o que há de pior na corte de Vere. E, como nos meios políticos nada é o que parece ser, Damen é obrigado a estar ao lado do tirano manipulador, ainda que ele o odeie mais do que a qualquer pessoa. Laurent e Damen têm consciência de que não são sentimentos nobres que os aproximam, mas o desejo de supremacia que está na origem da discórdia entre as duas nações.
Autora: C. S. Pacat nasceu na Australia e se formou na Universidade de Melbourne. Captive Prince é sua primeira série de livros e já foi sucesso em vários países.

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