Resenha: O Beijo Traiçoeiro - Erin Beaty

A história de uma jovem avessa a casamentos, mas que encontrou no oficio de aprendiz de casamenteira, a sua alma espiã

agosto 28, 2017 - Postado Por: Francisco Neto
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A história de uma jovem avessa a casamentos, mas que encontrou no oficio de aprendiz de casamenteira, a sua alma espiã




Ao pescar informações sobre casamentos na história da humanidade, é fácil perceber que casar por "amor" é recente (e mesmo assim muitos casamentos não são assim). Antes os casamentos eram arranjados, principalmente com fins políticos, a fim de criar alianças e ás vezes impedir que guerras acontecessem. Para isso, os casamenteiros tinham que ter um vasto conhecimento e perspicácia, pois eles tinham nas mãos o futuro de vários povos. Nesse aspecto, a autora Erin Beaty decidiu brincar com isso em seu romance de estreia, construindo uma nação baseada em casamentos arranjados. E olha, a história deu muito certo.

ANTES

Há muito tempo atras o reino de Demora era comandado pela dinastia D´Amiran que foi responsável por anexar vários territórios a Demora. Porém, depois de anos de sofrimento e corrupção os Ancestrais de Robert Delvin assumiram o trono e como presente a um dos generais D´Amiran foi dado uma parte do reino para que ele comandasse. Porém, essa era uma sobra que a família nunca aceitara muito bem (Guardem essa informação pra vocês).



HOJE

Começamos a história conhecendo Sage Fowler, a jovem é esperta, perspicaz, e tem uma facilidade de descobrir tudo, o que é bastante peculiar. Ela seria uma jovem perfeita para um casamento arranjado. Se não fosse dois problemas. Ela era totalmente avessa a casamentos arranjados, algo que puxara de sua mãe que foi renegada pela família por ser casar com um "plebeu". E o segundo problema é que apesar de morar com seus tios que eram de boa família. Sua mãe perdera o status que tinha ao casar-se com seu pai. Ou seja, ela era filha de plebeus.

Mesmo assim, seu tio estava obstinado a manda-la para o Concordium (evento onde os casamentos eram arranjados), e para isso ele a leva para uma entrevista com a melhor casamenteria da área. A Sra. Rodelle. O problema é que a entrevista não saiu como esperado. Sage tinhosa do jeito que era acabou por ofender a sra. Rodelle que não a aceitou.

Dias depois, achando que tinha estragado tudo para a família que lhe acolheu a jovem voltou para pedir desculpas. A casamenteira aceitou, mas não queria casa-lá. Achou que ela seria esperta suficiente para ser sua aprendiz. Sage não teve como opção senão aceitar. Logo ela mostrou os seus dotes de capturar informações das pessoas. E isso chamou a atenção do capitão Quinn.

O capitão Quinn viajava com Sage, a casamenteira e as jovens, em direção ao Concordiun que iria acontecer em Tennegol. Era algo que seu pai, o general, lhe mandou fazer, pois desconfiava que uma conspiração acontecia no reino (lembram o que eu disse lá em cima). Então, ninguém melhor que seus homens para aproveitar a viagem e tentar descobrir o que estava acontecendo.



A VIAGEM

No inicio, alguns dos guardas que estavam na viagem, achavam estranho as atitudes de Sage, acreditavam que ela era uma espiã. Ao longo da história, perceberam que podiam confiar nela. Melhor. Que podiam usar a inteligência da garota para obter informações, afinal de contas, ela tinha uma habilidade que nenhuma das jovens possuía e podia transitar por áreas que os soldados não poderiam. Para isso, Quinn colocou o capitão Ash Carter para se tornar amigo dela e assim foram descobrindo que a conspiração estava muito grande, e que já tinha bastante tempo. Pior. Estavam indo para a cova dos leões. Precisavam ser espertos suficientes para sobreviver nessa situação.

A cada momento que Sage descobria algo, era mais valorizada pelos guardas que acompanhavam o grupo, não a tratavam como se ela fosse uma mulher indefesa, e viam a imensa coragem que ela tinha. A questão é que Ash Carter estava se aproximando cada vez mais dela, sem ter revelado tudo. E sabia que quando ela descobrisse (puff) a relação que eles tinham criado poderia se acabar.

A história faz uma brincadeira bem interessante sobre a profissão das casamenteiras, afinal de contas, elas tinham uma importância significativa e precisavam agir quase que como espiãs para que pudessem realizar os melhores casamentos e alianças possíveis. Ou seja, só existia um passo de distância entre essa profissão e se tornar uma verdadeira espiã para descobrir o que estava acontecendo com aquele reino.



Conforme o enredo avança, com uma fluidez digna de romances de Época, a curiosidade vai se tornando cada vez maior. E aos poucos vamos sim desconfiando da maioria dos personagens, quase como se a gente tivesse se tornado um espião com objetivo de desvendar que são os mocinhos e vilões da história. E apesar de algumas escolhas da autora serem bem providenciais, do tipo fáceis demais. Acredito que o desenrolar da história foi o que trouxe o maior encantamento. Algo que traz a classe de histórias como "A Seleção" com um pouco de mistério, a exemplo do inicio de "The Kiss of Deception".

Esse primeiro livro termina bem fechadinho, e próximo ao final da história ficamos tristes com algumas mortes (apesar de que a autora não deixa a gente chorar um pouquinho no momento em que elas acontecem). Porém, a curiosidade para saber no que mais a jovem Sage irá se meter é o que mais da vontade de continuar a história.

O segundo livro ainda não foi lançado nos Estados Unidos, mas o seu titulo será "The Traitor´s Ruins", algo como "As Ruínas do Traidor".


O Beijo Traiçoeiro (The Traitor´s Kiss)
Os Traidores #01 (The Traitors #01)
Autora: Erin Beaty
Editora: Seguinte (Companhia das Letras)
Ano: 2017
Skoob:3,8 Estrelas / Goodreads: 3,62 Estrelas
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04 Estrelas
Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.
Autora: Erin Beaty foi oficial da Marinha norte-americana. Depois que deixou sua carreira casou-se e viajava com seu esposo por todo os Estados Unidos. Em maio de 2017 ela lançou seu primeiro livro, que chega ao Brasil no próximo dia 01/09 durante a bienal do livro do Rio.

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