Resenha: Flores Partidas - Karin Slaughter

Uma família destruida por uma grande tragédia e o questionamento sobre até onde vai a crueldade humana, em um thriller psicológico que te prende do início ao fim. Até que ponto você realmente conhece uma pessoa?

agosto 30, 2017 - Postado Por: Francisco Neto
Compartilhe:

Uma família destruida por uma grande tragédia e o questionamento sobre até onde vai a crueldade humana, em um thriller psicológico que te prende do início ao fim. Até que ponto você realmente conhece uma pessoa?




Em Flores Partidas somos apresentados a família Carroll, uma família comum que ficou completamente devastada quando a filha mais velha, Julia, desapareceu sem deixar rastros e mesmo com todas as buscas e divulgações em noticiários locais após 20 anos nunca se soube realmente o que havia acontecido.

Com o desaparecimento de Julia, suas duas irmãs Claire e Lydia ficaram extremamente abaladas. Lydia busca refúgio nas drogas, enquanto Claire tentou ao máximo ser uma filha boa e exemplar. Porém o destino lhes reservou mais um grande sofrimento: as irmãs acabaram por cortar relações quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la. Claire, que estava completamente envolvida por Paul, não podia acreditar que ele faria tal coisa e a irmã, por ser uma drogada, estava mentindo e queria destruir o relacionamento dela com um homem bom.



A partir disso as irmãs Carroll seguem rumos diferentes: Claire está casada com Paul e Lydia não tem nenhum contato com a família e agora tem uma filha e está livre das drogas. Até que a morte de Paul faz com que Claire acabe por descobrir em seu computador vídeos completamente perturbadores, que a fazem questionar se ela de fato conhecia o marido e o que ele escondia dela. Será que Paul tinha uma face tão sombria desconhecida por ela? E assim Claire procura Lydia, pois não sabe mais em que acreditar e está totalmente perdida.

As duas começam então uma busca pela verdade que leva a um caminho inesperado e que coloca a vida de toda a sua família em perigo. Elas descobrem cada vez mais segredos obscuros e um lado tão cruel do ser humano que elas consideravam inimaginável.



Conforme avançamos na narrativa tudo se torna muito intenso e cheio de tensão, a todo momento descobrimos um requinte de crueldade no vilão que tornam até mesmo díficil de ler as descrições, que são extremamente detalhadas, e aqui é preciso ter um estômago forte, porque são cenas difíceis de ler.

A crueldade do vilão não conhece limites, ele joga com o psicológico das vítimas de maneira fria e cruel, é extremamente calculista e parece que não lhe resta um pingo de humanidade, ele sente prazer no sofrimento que causa, é repugnante.

A leitura segue um ritmo frenético, cada nova descoberta leva as personagens a novos caminhos e novas escolhas: elas estão de fato preparadas para encarar a cruel realidade do que aconteceu com a irmã?



Claire e Lydia estão completamente sozinhas nessa batalha, uma vez que parece que de alguma forma todos aqueles que deveriam ajuda-las estão envolvidos com os crimes ocorridos. Elas não sabem em quem confiar, contando apenas uma com a outra.

O tema abordado nesse livro não é fácil, apesar de conhecermos as estatísticas alarmantes. Lydia sofre porque foi vítima e é uma cicatriz que ela leva por toda a sua vida. Sabemos que o que ocorre ainda hoje é a cultura do estupro, onde tenta-se de alguma forma colocar a culpa do fato na vítima. É algo que gera intenso debate. Em diversas passagens do livro podemos observar justamente isso: que aconteceu porque a mulher provocou, porque não estava vestida de forma adequada, porque não se comportava da maneira correta entre outros absurdos que tentam justificar algo tão monstruoso e que ouvimos diariamente.



O requinte de crueldade presente nos atos do vilão principal é algo difícil de digerir, conforme vamos descobrindo sua forma de agir e cada cena descrita é algo arrepiante e perturbador. Todo o mal que ele causou, o sofrimento, tudo isso foi muito bem descrito pela autora.

Karin tem uma escrita muito fluída, ainda que com uma temática tão pesada, ela sabe manter a atenção, sabe ligar bem os pontos e consegue surpreender a todo momento, quando você acha que enfim entendeu tudo ela vem e mostra que talvez não seja exatamente aquilo. É o primeiro livro que leio dela e foi uma grata surpresa, recomendo bastante a leitura, com a ressalva de que traz descrições de violências e que é preciso um estômago forte para encarar algumas cenas.



RESENHA FEITA POR ROSANE SANTOS

Uma dica: O Conto "A Garota dos Olhos Azuis está disponível gratuitamente na Amazon. É só acessar e baixar (Clique Aqui).

Detalhe gente, esse ano a Karin Slaughter vai estar no Brasil para participar da Bienal do livro do Rio, no dia 09/09 às 15hs e dia 11/09 em São Paulo na Saraiva do Shopping Pátio Paulista (Confirme aqui). Oportunidade de conhecer a autora, não é verdade??

Flores Partidas (Pretty Girls)
Autora:Karin Slaughter
Harper Collins Brasil
Ano: 2017
Skoob: 4,4 Estrelas / Goodreads:3,9 Estrelas
Compre Aqui ♥
05 Estrelas
Irmãs. Estranhas. Sobreviventes. Quando Lydia contou para a irmã que o cunhado havia tentado estuprá-la, Claire não acreditou. Dezoito anos depois, porém, tudo o que Claire achava saber sobre o marido se prova uma mentira. Quando vídeos escondidos no computador de Paul mostram uma face terrível do homem que ela julgava conhecer, Claire percebe que o drama de sua família tem muitas camadas, que precisarão ser descobertas antes que a assustadora verdade por fim venha à tona.
Autora: Karin Slaughter é uma autora de livros policiais, que estreou com o seu romance Cega em 2001. Publicado em quase 30 idiomas, tornou-se um sucesso internacional e entrou para o Dagger Award como "Melhor Thriller Debut "de 2001. Slaughter nasceu em uma pequena comunidade ao sul da Geórgia, e agora reside em Atlanta.

Comente com o Facebook